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Ypê volta atrás e diz que vai reembolsar clientes com produtos suspensos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Ypê volta atrás e diz que vai reembolsar clientes com produtos suspensos

Em um dia de mudanças de posicionamento, a Ypê informou, no final da tarde desta sexta-feira (15), que está disponível para atender clientes que desejam trocar ou obter o reembolso de produtos adquiridos da empresa, que estejam dentro do escopo da suspensão determinada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Na manhã desta sexta, a Agência negou por unanimidade o recurso apresentado pela Ypê e manteve a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos de limpeza da marca, conforme a Resolução 1.834/2026, determinada no último dia 7 de maio.

Após a decisão da Diretoria Colegiada da Anvisa, ainda nesta manhã, a empresa já havia começado a reembolsar os clientes afetados. A fabricante passou a solicitar a chave Pix dos consumidores para efetuar os pagamentos, enquanto mantinha o processo de ressarcimento para itens atingidos pela medida cautelar da agência.

No entanto, por volta das 18h10, o diretor-executivo de assuntos jurídicos e corporativos da Ypê, Sergio Pompilio, conversou com a CNN Brasil e afirmou que, naquele momento, não se falava em ressarcimento aos clientes por parte da empresa.

Não há o que se falar, nesse momento — em razão da determinação da própria Anvisa —  em reembolso […] Há uma grande parcela desses produtos [indicados pela agência] que hoje estão segregadas nos nossos clientes […] Na medida em que ele [produto] apresenta a segurança para o consumidor, ele vai ser liberado para ser colocado a venda novamente”, destacou Pompilio.

Porém, às 18h55 desta sexta, a Ypê voltou atrás e divulgou uma nota oficial, afirmando que continua “atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos”. Leia na íntegra:

“A determinação da Anvisa de 15 de maio estabeleceu que os produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1, elencados na Resolução 1.834/2026, não precisariam mais ser recolhidos neste momento. A orientação é que eles permaneçam guardados até a emissão de novos laudos de laboratórios independentes. Porém, em alinhamento com a Anvisa e devido ao foco na satisfação dos nossos consumidores, a Ypê seguirá atendendo em seus canais oficiais todos aqueles que ainda preferirem efetuar a troca ou obter o ressarcimento pelos produtos adquiridos. A empresa reitera que, de acordo com os controles e análises internas realizados pela Ypê, os produtos são seguros para o consumidor. Ainda assim, a companhia propôs para a Anvisa apresentar testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência, de todos os lotes já colocados no mercado, para garantir a segurança dos mesmos e sua consequente liberação para uso o mais rápido possível. A Ype segue executando em ritmo acelerado o investimento de R$ 130 milhões com o foco em se adequar aos requisitos acordados em colaboração com a Anvisa. A empresa reitera seu compromisso inegociável com a transparência e a saúde de seus consumidores.”

Em nova entrevista à reportagem, Sérgio Pompilio ressaltou o novo posicionamento da empresa. “Quando a gente fala de consumidor… caso o consumidor não esteja 100% confortável com essa decisão e ele queira efetuar a troca desse produto e não a manutenção, a suspensão do uso, ele deve, sim, entrar em contato com o nosso serviço de atendimento, tanto pelo SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) como pelos nossos canais telefônicos, fazer a solicitação e ele vai ser devidamente reembolsado ou oferecido a troca por um produto diferente”.

Em nota enviada à reportagem, a Anvisa informou que não trata de aspectos sobre ressarcimento de clientes, já que o foco do órgão é segurança sanitária.

Entenda o caso

O caso teve início quando a Anvisa publicou uma resolução suspendendo a fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos das categorias de detergentes, lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes.

A medida atinge exclusivamente os itens produzidos na unidade de Amparo, no interior de São Paulo, cujos lotes possuem numeração final 1. A decisão foi tomada após uma inspeção sanitária conjunta realizada entre 27 e 30 de abril, com participação da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária Municipal de Amparo.

Durante a fiscalização, foram identificadas 76 irregularidades e mais de 100 lotes comprometidos. Segundo a agência, houve descumprimento das Boas Práticas de Fabricação e risco elevado de contaminação microbiológica.

Essa inspeção também levou em consideração denúncias apresentadas pela Unilever, concorrente da Ypê, em outubro de 2025 e março de 2026, além do histórico da própria fábrica, que já havia registrado, em novembro do ano passado, o recolhimento de produtos por contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.

A bactéria é comumente encontrada em ambientes úmidos e pode causar desde infecções leves até quadros mais graves, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Nesta sexta-feira (15), a Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu manter a suspensão da fabricação, comercialização e uso dos lotes após analisar recurso apresentado pela Ypê. No entanto, a agência suspendeu temporariamente a exigência de recolhimento imediato dos produtos que já chegaram ao mercado e aos consumidores.

A Anvisa condicionou o recolhimento à apresentação e validação prévia de um plano de mitigação de riscos por parte da Ypê, que deverá detalhar estratégias de logística, rastreabilidade e comunicação com o público.

Apesar da suspensão provisória do recolhimento oficial, a orientação das autoridades sanitárias é para que os consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos listados. O ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP), também orientou que os itens não sejam descartados de forma inadequada.

Leia: “Guarde produto em local seguro”, aconselha Padilha sobre caso Ypê

A recomendação é que os produtos sejam mantidos em local seguro dentro de casa, com as embalagens e a identificação do lote preservadas, tanto para garantir o descarte ambientalmente correto no futuro quanto para facilitar o processo de troca ou ressarcimento junto à fabricante.

Em um comunicado oficial divulgado em uma rede social, a empresa reiterou que os produtos são seguros e que, por precaução, a orientação é apenas que eles permaneçam guardados até que novos laudos de laboratórios independentes confirmem a ausência de contaminação.

Entenda possível contaminação de produtos Ypê

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