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MPSP denuncia dono da Ultrafarma por organização criminosa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
MPSP denuncia dono da Ultrafarma por organização criminosa

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) denunciou por organização criminosa 11 pessoas ligadas a um esquema dedicado à cobrança de propina de grandes empresas para facilitar, inflar e aprovar créditos de ICMS junto à Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo.

Entre os denunciados estão o fundador da Ultrafarma Sidney Oliveira, o ex-auditor fiscal estadual Artur Gomes da Silva Neto, e o diretor fiscal e contábil da Ultrafarma Rogério Barbosa Caraça.

De acordo com o MPSP, Sidney de Oliveira era responsável pela tomada das decisões estratégicas relativas ao esquema criminoso, como a aprovação dos valores a serem pagos a título de propina aos auditores fiscais corruptos.

Já Rogério Barbosa Caraça atuava na operacionalização do esquema do lado da empresa. Ele enviava aos auditores fiscais a documentação necessária à formulação dos pedidos de ressarcimento e cobrava o deferimento dos valores.

Artur Gomes da Silva Neto é apontado pelo MPSP como articulador central da organização criminosa.

Segundo as investigações, o ex-auditor mantinha contato direto com os representantes das empresas contribuintes, apresentava-lhes a oferta de serviços ilícitos, ajustava o valor da propina e supervisionava a execução de todas as etapas do esquema.

A investigação verificou transferências superiores a R$ 81 milhões para empresas ligadas ao núcleo financeiro do grupo, além de movimentações societárias bilionárias utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

Os valores eram pagos por meio de contratos simulados com uma empresa de consultoria tributária e, posteriormente, ocultados em operações de lavagem de dinheiro. A empresa era formalmente titularizada pela mãe de Artur, Kimio da Silva, mas era o ex-auditor que de fato operava a consultoria.

O grupo atuou entre 2021 e 2025 de forma estruturada, segundo as investigações. Há indícios da existência de quatro núcleos:

  1. agentes públicos: integrado por auditores fiscais responsáveis por viabilizar os créditos tributários;
  2. técnico-operacional: formado por consultoras que preparavam a documentação e protocolavam pedidos de ressarcimento;
  3. financeiro: encarregado de ocultar e dissimular a origem ilícita dos valores;
  4. empresarial: composto por representantes de companhias beneficiadas pelo esquema.

De acordo com o MPSP, Kimio da Silva teve evolução patrimonial de cerca de R$ 411 mil para mais de R$ 2 bilhões em apenas dois anos.

Dos 11 acusados, quatro estão presos preventivamente. Artur está entre eles. O ex-auditor fiscal Alberto Toshio Murakami está foragido desde agosto de 2025 e foi incluído na lista de procurados da Interpol.

O CNN Money procurou a Ultrafarma e aguarda posicionamento. A reportagem tenta contato com Artur e Kimio da Silva. O espaço segue aberto.

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