Investidores estrangeiros estão muito mais otimistas em relação ao Brasil, afirmou Daniel Bassan, CEO da UBS no Brasil, em entrevista exclusiva à CNN Brasil. No entanto, a questão fiscal atrapalha e preocupa esse movimento.
“Eles querem que a gente comece a fazer ajustes, porque um país com dívida alta não funciona”, disse durante o Brazil Week, em Nova York.
Não é uma questão de ano eleitoral ou candidato, o que os investidores querem ver do Brasil é uma ação de longo prazo, ressaltou.
“Temos que começar a ter um projeto de país e não de um governo. As discussões precisam ser de longuíssimo prazo, de gerações”.
O executivo afirmou que o Brasil traz muitas oportunidades, principalmente pela sua posição geopolítica privilegiada em momentos como o atual conflito no Oriente Médio.
No entando, o CEO explicou que a possibilidade desse dinheiro sair dos mercado de forma ágil é bastante alta.
Até abril, a bolsa de valores brasileira registrava resultado positivo de R$ 56,54 bilhões. O resultado é mais do que o dobro do total do ano passado, de R$ 25,47 bilhões. No entanto, desde o recorde em janeiro de 2026, a entrada de capital estrangeiro na B3 despencou em cerca de 88%.
Para esse dinheiro sair da bolsa, “é um pulo”, disse. “Precisamos enfrentar os nossos desafios e começar a usar nossas vantagens de forma mais eficiente”.
A questão fiscal esbarra nos juros altos no país. De acordo com o CEO da UBS no Brasil, a taxa Selic em 14,5% tira margem de manobra do empreendedor.
“Estamos usando esse remédio há muito tempo, o que atrapalha. Para construir um negócio, é preciso acertar várias vezes, mas errar também. Com juros altos, a empresa não pode cometer erros.”
Bassan explicou que isso gera uma aversão a risco por parte dos investidores brasileiros, tirando a oportunidade de empresas em atraírem capital via renda variável. Essa carência limita os caminhos que as companhias podem seguir – dificultando também o crescimento.
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