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FGC vai a R$ 1 milhão? Entenda os riscos de encarecer o crédito no país

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
FGC vai a R$ 1 milhão? Entenda os riscos de encarecer o crédito no país

A proposta conhecida como “emenda Master”, que prevê ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) por investidor, segue em discussão sobre os riscos para o sistema financeiro brasileiro e o papel do fundo na proteção aos investidores.

A emenda foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP) dentro de uma PEC que trata da autonomia do Banco Central e ganhou repercussão após investigações da PF (Polícia Federal) envolvendo suposta atuação do parlamentar em defesa de interesses ligados ao Banco Master.

Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, a ampliação da garantia aumentaria significativamente a exposição do fundo e poderia deixar o sistema financeiro mais vulnerável.

“Em 2006 tivemos um aumento da garantia de R$ 20 mil para R$ 60 mil e, depois, em 2013, de R$ 70 mil para R$ 250 mil. Hoje o FGC já garante quase 50% de todo o sistema financeiro”, analisa Marilia.

Segundo ela, o fundo foi criado originalmente para proteger pequenos investidores, e não grandes aplicações financeiras.

Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, afirma que o atual limite de cobertura já atende praticamente toda a base de investidores do país. 

Além disso, aplicações acima desse valor já pertencem a um perfil de investidor mais sofisticado, com maior capacidade de avaliar riscos.

“R$ 1 milhão já é patamar de investidor qualificado. O FGC foi criado para proteger o pequeno investidor, aquele que não consegue analisar a saúde financeira de um banco”, explica Pascowitch.

Para Thiago Godoy, educador financeiro, ampliar a cobertura também aumenta o risco moral dentro do sistema financeiro.

“O investidor acaba sendo incentivado a buscar aplicações mais arriscadas porque acredita que, se algo der errado, o FGC vai cobrir as perdas. Isso cria uma distorção no mercado”, observa Thiago.

É importante lembrar que o FGC foi criado nos anos 1990, após o congelamento da poupança durante o governo Collor, com o objetivo de aumentar a segurança do sistema financeiro e proteger investidores em casos de quebra de bancos. 

Ampliar a cobertura do FGC também elevaria os custos para todo o sistema financeiro.

“A garantia não é dada de graça. Os bancos precisam contribuir com um percentual sobre os títulos que emitem para financiar o fundo. Aumentar essa cobertura para R$ 1 milhão elevaria os custos do sistema como um todo”, analisa a apresentadora.

Com isso, esse custo acaba sendo repassado para o crédito no país, segundo Bernardo. 

“Isso aumenta o custo do crédito para toda a economia. O cidadão que depende de um financiamento para comprar uma casa ou até parcelar o consumo do dia a dia é impactado”, diz.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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