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Brasil não converte liderança em renováveis em imagem global, mostra estudo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Brasil não converte liderança em renováveis em imagem global, mostra estudo

Embora o Brasil tenha uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo e seja frequentemente citado em debates internacionais sobre transição energética, o país ainda não consegue transformar essa vantagem em reputação global no setor de energia.

É o que aponta um estudo internacional sobre a Marca Brasil, elaborado pela consultoria portuguesa OnStrategy, que identificou o segmento de energia e tecnologia como o de pior imagem externa entre as áreas avaliadas.

A Marca Brasil é a maior pesquisa sobre a reputação do Brasil já produzida. Foram entrevistados pela OnStrategy 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros de forma online — entre cidadãos, executivos de empresas, jornalistas, influenciadores e autoridades entre outubro de 2025 e março de 2026.

Entre os principais achados, a consultoria conclui que o país possui atributos fortes, como beleza natural, cultura e qualidade de produtos, mas enfrenta dificuldades para transformar essas características em uma narrativa internacional.

Segundo a pesquisa, “o Brasil é líder em renováveis, mas o setor tem a pior imagem externa (5,82)” e o país “não converte liderança verde em storytelling estratégico”.

Para Erik Rego, professor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), a percepção negativa no setor energético pode estar relacionada a decisões recentes do país na área ambiental e climática.

“Se pegar o Brasil nos últimos fóruns, ele foi bastante criticado em fóruns ambientais e climáticos pela defesa de pautas do petróleo, em função do nosso interesse em explorar a bacia da Foz do Amazonas”, disse à CNN Infra.

O acadêmico lembra ainda que, no último leilão de energia, o país optou pela contratação de térmicas a carvão em vez de sistemas de armazenamento em baterias, enquanto economias desenvolvidas caminham no sentido oposto.

“Enquanto países, como o Reino Unido, encerraram suas térmicas a carvão, o Brasil acabou contratando carvão. Isso gera uma percepção contraditória”, disse.

Na avaliação de Rego, o impacto reputacional é potencializado justamente porque o Brasil já faz parte de uma posição privilegiada em termos de energia limpa.

“O Brasil acaba sendo um país mais renovável, em termos energéticos, em relação ao mundo e um dos mais renováveis em termos de eletricidade. Então, a expectativa do mundo é que o Brasil assumisse esse protagonismo renovável e defendesse pautas renováveis”, afirmou.

A pesquisa da OnStrategy sugere justamente esse descompasso entre potencial e percepção. O estudo aponta que o país possui forte exposição internacional em temas ligados à sustentabilidade, mas falha em consolidar uma narrativa global capaz de monetizar ou converter esse ativo em reputação estratégica.

Para Luiz Barroso, CEO da consultoria PSR, a avaliação internacional sobre o Brasil depende muito do perfil de quem observa o país. Assim, ele afirma que o setor elétrico brasileiro mantém reconhecimento global relevante.

Sempre vi o Brasil despertando muito interesse global. Não só pelo que o país oferece em termos de recursos físicos como também por lições relacionadas ao desenho do seu mercado de eletricidade”, disse.

Barroso pondera, porém, que o país frequentemente não consegue comunicar adequadamente seus diferenciais.

“Às vezes o Brasil não cuida e sabe explicar bem nossas características positivas e isso pode causar uma percepção negativa”, afirmou.

A avaliação é semelhante à do CEO da Envol, Alexandre Viana, que vê um descompasso entre os indicadores técnicos do setor elétrico brasileiro e a percepção internacional sobre o país.

O Brasil é o segundo país mais renovável do mundo em geração de energia, com aproximadamente 90% da sua geração elétrica vinda de fontes limpas, um número muito distante das nações do G20″, afirmou.

“Mas a pesquisa Marca Brasil 2026 revela um paradoxo preocupante: o setor de Energia e Tecnologia tem a pior imagem externa de todos os setores avaliados, com nota 5,82”, acrescentou.

Para Viana, o país construiu uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, mas ainda falha em transformar esse diferencial em reputação internacional.

“O Brasil construiu uma das matrizes energéticas mais verdes do planeta e ainda não sabe contar essa história para o mundo. Não temos problema de substância, mas sim de como demonstrar isto para a sociedade”, disse.

Pesquisa Marca Brasil na CNN

As entrevistas internacionais da pesquisa foram feitas com cidadãos do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.

Fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultora multidisciplinar de brand value management, focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.

Ao longo desta semana, o portal da CNN Brasil e seus perfis nas redes sociais divulgam uma série de conteúdos com detalhes da pesquisa. A cobertura especial da CNN Brasil se encerra no domingo, 17 de maio, com um programa ao vivo, de uma hora, apresentado por Iuri Pitta e Elisa Veeck. Dividida em blocos temáticos, a atração debaterá com especialistas os impactos desses achados para a política, agronegócio e segurança pública.

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