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Após suspensão, Anvisa pede que Ypê monte plano para recolhimento de itens

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Após suspensão, Anvisa pede que Ypê monte plano para recolhimento de itens

A diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu por unanimidade manter as medidas cautelares que proíbem a fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos de limpeza da marca Ypê, em reunião realizada nesta sexta-feira (15).

No entanto, a exigência de recolhimento imediato das mercadorias que já estão no mercado e nas mãos dos consumidores foi temporariamente suspensa.

A decisão de não exigir a retirada imediata dos produtos das prateleiras e das casas dos consumidores, neste momento, tem base em uma estratégia técnica e logística, segundo o órgão.

De acordo com o diretor-presidente da Anvisa e relator do caso, Leandro Safatle, a execução de um recolhimento em larga escala sem o devido planejamento prévio poderia comprometer a sua abrangência e reduzir drasticamente a eficácia da medida sanitária.

Leia também: Suspensão de produtos da Ypê: entenda decisão da Anvisa

Para lidar com os produtos que já foram distribuídos, a agência condicionou o “recall” à apresentação de um plano de mitigação de riscos por parte da fabricante, a Química Amparo. Segundo a determinação do colegiado, este documento precisará ser validado pela própria Anvisa antes que a ação seja executada e deverá detalhar obrigatoriamente:

  • Critérios de rastreabilidade para localizar os lotes distribuídos;
  • Canais de comunicação de risco diretos e claros com consumidores e distribuidores;
  • Monitoramento contínuo pós-mercado;
  • Medidas de segregação e destinação adequada das mercadorias afetadas.

Apesar de adiar o recolhimento, a Anvisa afirma que o risco sanitário é elevado devido a falhas sistêmicas nas boas práticas de fabricação da empresa. A agência entendeu que liberar a venda antes das correções exporia indevidamente a população.

A CNN Brasil pediu esclarecimentos à empresa após a decisão da agência sanitária e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Entenda o caso Ypê

A crise teve início no último dia 7 de maio, quando a Anvisa publicou uma resolução suspendendo mais de 100 lotes, todos com numeração final 1, de lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca.

A medida ocorreu após uma fiscalização conjunta com órgãos de vigilância de São Paulo e do município de Amparo, no interior paulista, realizada no final de abril, que detectou 76 irregularidades em etapas críticas da produção, apontando o risco de contaminação microbiológica.

A inspeção foi feita após, em novembro de 2025, a própria fábrica já ter registrado um evento de contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, o que resultou no recolhimento de produtos da linha de lava-roupas na época.

Além disso, a multinacional Unilever, concorrente da Ypê, havia formalizado denúncias à Anvisa e à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) em outubro de 2025, apresentando laudos que apontavam a presença da mesma bactéria em produtos da linha Tixan Ypê.

Veja: Unilever denunciou suspeita de contaminação na Ypê à Anvisa em 2025

No dia 8 de maio deste ano, a Ypê apresentou um recurso administrativo que suspendeu temporariamente as punições da Anvisa até o julgamento final do colegiado.

A fabricante, que paralisou as linhas de produção da fábrica afetada por conta própria, argumenta que possui laudos independentes que atestam a segurança dos produtos e que segue em “colaboração máxima” com a agência reguladora, tendo apresentado mais de 230 ações corretivas.

Desdobramentos na saúde e na política

Uma idosa de 92 anos move um processo contra a empresa alegando ter contraído uma infecção urinária grave após o uso de um lava-roupas da marca. A Ypê nega a relação, citando fatores clínicos prévios da paciente.

Além disso, uma criança foi internada em Natal, capital potiguar, após apresentar manchas no corpo. A família relatou que os sintomas surgiram um dia após o uso de um detergente da Ypê do lote final 1, e o caso é investigado pela vigilância epidemiológica local.

O caso também ganhou repercussão política em que, após a primeira interdição, apoiadores e políticos de direita passaram a publicar vídeos comprando e, em alguns casos, ingerindo detergente da marca em forma de protesto contra a Anvisa, alegando perseguição ideológica devido a doações eleitorais feitas pelos donos da Ypê no passado.

Em resposta, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), repudiou a ingestão do produto de limpeza, alertando que a atitude coloca vidas em risco e reforçando que a Anvisa é um órgão técnico, sem lados partidários.

Na terça-feira (12), a Bancada Feminista do PSOL acionou o MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) contra o vice-prefeito da capital paulista, Coronel Mello Araújo (PL), por incentivar o uso dos produtos suspensos.

Orientação aos consumidores

Como o recolhimento ainda não está operando de forma massiva enquanto a Anvisa aguarda o plano da empresa, a orientação oficial dos órgãos de saúde é a interrupção imediata do uso de qualquer produto listado na resolução.

O ministro da Saúde aconselhou que os consumidores não descartem os produtos, mas os guardem em um local seguro, mantendo a embalagem preservados para garantir o descarte correto no futuro e assegurar o direito a trocas e ressarcimentos financeiros por parte da fabricante.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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