Uma eventual privatização do Porto de Santos enfrenta um nível de complexidade que dificulta o avanço do projeto, avalia o CEO da DP World Brasil, Fabio Siccherino. “Acho que é tão complexo que não vai sair do papel”, afirmou o executivo ao programa Conexão Infra, da CNN.
Segundo Siccherino, a dimensão operacional e estratégica do maior porto da América Latina torna o processo muito diferente da privatização realizada no Espírito Santo.
“O Porto de Santos é extremamente complexo, não dá para gente imaginar que uma privatização vai ter o mesmo nível de tranquilidade da que ocorreu na Companhia Docas do Espírito Santo. São dimensões muito diferentes”, disse.
Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a privatização portuária era uma das prioridades da agenda do Ministério da Infraestrutura e incluía, entre os principais projetos, a Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo) e o Porto de Santos.
Apesar das resistências enfrentadas pelos dois processos, o modelo avançou no Espírito Santo e, em 2022, a Codesa foi privatizada, passando a ser administrada pela Vports. Já o projeto envolvendo Santos foi arquivado após a mudança de governo e a revisão das diretrizes para o setor portuário na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora veja dificuldades para uma privatização ampla do porto santista, Siccherino defende que o governo acelere a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos, considerado estratégico para ampliar a competitividade logística da região.
Atualmente, o canal possui cerca de 15 metros de profundidade. Em discussões anteriores sobre o projeto, a expectativa era ampliar o calado para até 17 metros, permitindo a entrada de navios maiores de contêineres e reduzindo custos de frete. “Fazer o que o Porto de Paranaguá está fazendo agora é essencial e estamos perdendo o timing”, afirmou.
Segundo o executivo, a profundidade de 16 metros já seria suficiente para atender à demanda atual do mercado.
A concessão do canal de acesso do Porto de Santos está em estruturação pelo governo federal e prevê investimentos em dragagem de aprofundamento. A modelagem em discussão estabelece metas para ampliar a profundidade para 16 metros em até três anos e alcançar 17 metros em até seis anos.
O processo de participação social da concessão do canal de acesso no porto foi adiado pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e nenhuma nova data foi definida até o momento. Como mostrou a CNN, isso aconteceu porque o projeto ainda carece de mudanças, porém, Silvio Costa Filho, queria dar andamento à licitação antes de deixar o comando do Ministério de Portos e Aeroportos para disputar as eleições.

