Ao anunciar a subvenção para gasolina, o governo buscou se antecipar a um vindouro reajuste nos preços da Petrobras, observam analistas ouvidos pela reportagem.
A eficiência da medida fica, portanto, à mercê do movimento que será tomado pela estatal.
“Avalio que a subvenção poderá impedir ou mitigar reajuste relevante da gasolina (que pode estar na mira por conta da defasagem). Ou seja, pode ter mais um efeito mitigador do que de queda nas bombas”, diz Fábio Romão, sócio da Logos Economia, ressaltando que não mudou suas projeções para alta dos combustíveis.
A Logos aponta que a gasolina deve terminar o ano 5,9% mais cara do que em 2025.
A medida provisória que estabelece o subsídio à gasolina colocou um teto de R$ 0,89 para o valor do benefício, equivalente aos tributos federais (Cide e Pis/Cofins) incidentes sobre o combustível.
Porém, a equipe econômica do governo já sinalizou que a subvenção será parcial e deverá ficar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro.
A gasolina foi o subitem de maior peso no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Caso sejam mantidos os preços nas refinarias da Petrobras, o impacto do reajuste deve ser positivo e fazer a inflação ficar menor de 0,23 ponto percentual a 0,25 ponto, apontam cálculos da Warren Investimentos.
Contudo, a depender do reajuste realizado pela estatal, a medida perde eficiência.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indicou na terça-feira (12) que a companhia prepara um aumento nos preços da gasolina para os próximos dias. Sem detalhar valores ou prazo para a mudança, a executiva afirmou que reajuste na gasolina “vai acontecer já já”.
O discurso da estatal é de manter uma política comercial que evita o repasse imediato das oscilações internacionais aos consumidores brasileiros.
Mas, à medida que a defasagem entre os preços praticados no Brasil crescem em relação aos do exterior, a pressão pelo reajuste por parte da petroleira também aumenta, afirma Adriano Birle, economista responsável pelas análises de combustíveis e resinas plásticas da GEP.
O analista reforça que o movimento do governo é uma antecipação ao reajuste da Petrobras, visando “amenizar o impacto”.
Desse modo, enfatiza: “o IPCA vai depender do reajuste da Petrobras. Se vier reajuste maior, o impacto é maior”.
“Vemos essa medida como uma maneira de se amenizar, neutralizar o impacto dos reajustes que acontecerão no futuro próximo”, acrescenta.
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