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O Leilão de Reserva de Capacidade e o turbilhão de palpites

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O inacreditável está acontecendo: uma medida aprovada por Lei, com total consistência técnica, que indubitavelmente traz a necessária confiabilidade, e agora flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o Leilão de Reserva de Capacidade por Potência (LRCAP) tem sofrido todos os tipos de ataques. E onde partem tais ataques? É muito simples identificar: partem de três grupos distintos que se interligam caso a caso. 

O primeiro grupo é o que poderíamos chamar de “Grupo Político”. Em um ano eleitoral dos mais competitivos, há ataques de partidos que apoiam candidatos de um lado e de outro, e acham que o “circo pegar fogo” favorece o seu lado. Mas este grupo é totalmente sem nexo, uma vez que qualquer candidato que ganhe as eleições enfrentará grandes riscos no SIN, sem o LRCAP. Em outras palavras, estão condenando seus próprios candidatos a blecaute e racionamentos, que terão um custo técnico e político imenso. Como esses parlamentares não são técnicos, se prestam a ouvir lobbies provenientes do segundo Grupo. 

Este outro grupo é o que chamamos de “Grupo Econômico”, ou seja, aquele que tenta derrubar o leilão por interesses econômicos, e aproveitam a “achologia” atualmente reinante no setor elétrico para divulgar opiniões de falsos especialistas, que nada entendem, na realidade, de sistemas elétricos de potência, para subsidiar com “escárnios técnicos” os seus propósitos financeiros.

Este grupo faz muito mal ao País, pois utilizam um mar de recursos com propagandas falsas e enganosas na televisão, produção de vídeos do mais baixo nível técnico, e com isto enganam a opinião pública por seus interesses próprios financeiros. 

E colocam nessa bacia de informações equivocadas as nossas baterias, exaltando em prosa e verso que as mesmas substituem termelétricas e até mesmo hidrelétricas com ou sem reservatório, em termos de confiabilidade. Vejam que loucura: a utilização dessas baterias, na alta ou extra tensão com controladores GFM (Grid Forming Inverters) ainda está em caráter experimental. É bem mais utilizada na baixa tensão, onda não há maiores problemas de corrente de curto circuito. No Brasil, não temos nenhuma bateria operando com controlador GFM, que são as baterias propostas para “substituírem” as máquinas síncronas das termelétricas e hidrelétricas.  

Propor um equipamento ainda experimental, e sem nenhuma aplicação no Brasil para exercer funções de confiabilidade no SIN é, no mínimo uma inconsistência total, uma verdadeira ameaça ao consumidor e ao povo brasileiro. E isto tudo por interesses econômicos de grupos sem nenhuma responsabilidade com a segurança eletroenergética, que é um bem público. 

O terceiro grupo é o que chamamos de “Grupo dos Achólogos Negativos”, que é um Grupo de opiniáticos que reclamam e falam mal de tudo. São sabichões, colocando opiniões sem nenhum respaldo com a realidade, e sempre criticando. Esses mesmos negativistas que falam mal deste leilão irão descer a pancada no Governo de Plantão, se ocorrerem blecautes e/ou racionamentos sem o LRCAP.

Esses exercem um papel de “fazer os outros de bobos”. Se tem o leilão, metem pancada porque dizem que o consumidor vai pagar mais, mas em momento algum falam que a contrapartida é ter luz, assistir sua televisão, ligar seus aparelhos domésticos, ou manter as indústrias operando. E, por outro lado, se não tiver o leilão e acontecerem esses horríveis problemas para o consumidor, serão os primeiros a gritar. E essas pessoas são financiadas por entidades até um pouco esquisitas. 

Mas paremos para pensar um pouco: quem está com a razão? Seriam esses três Grupos “vulcânicos” ou os estudos técnicos  da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Operador Nacional do Sistema (ONS), Câmara de Comercialização de Energia (CCEE), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do próprio corpo técnico do Ministério de Minas e Energia (MME)? Será que alguém que não seja recém saído de um hospício acredita em um conluio entre esses órgãos técnicos para produzirem um leilão caro e desnecessário? 

Vamos voltar à realidade, e concentrar os esforços em realizar a alternativa de segurança eletroenergética do SIN, e sair, definitivamente, da pocilga que vem sendo introduzido no setor elétrico brasileiro.

* Xisto Vieira Filho é presidente da Abraget (Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas)

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