O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou à PGR (Procuradoria-Geral da República) um pedido apresentado pela Intelis (União Nacional dos Profissionais de Inteligência da Abin) no âmbito da investigação sobre o uso do software espião First Mile.
A associação de servidores da Abin afirma que documentos anexados aos autos expõem dados pessoais de funcionários não indiciados, apesar de uma decisão anterior do STF determinar a anonimização dessas informações. A entidade também pede a devolução de bens apreendidos que, segundo a defesa, já passaram por perícia da Polícia Federal.
No despacho assinado nesta quarta-feira (13), Moraes deu prazo de cinco dias para manifestação da PGR sobre os pedidos apresentados pela associação.
O software First Mile foi desenvolvido pela empresa israelense Cognyte, anteriormente conhecida como Verint. A ferramenta permite a geolocalização em tempo real de pessoas a partir de sinais emitidos por aparelhos celulares.
Segundo as investigações, a estrutura que ficou conhecida como “Abin Paralela” teria sido usada para monitorar ilegalmente ao menos 22 pessoas entre 2021 e 2022. Entre os alvos estariam quatro ministros do STF, parlamentares, servidores públicos, jornalistas e um governador.
De acordo com a PF, o sistema teria sido operado de forma a contornar a necessidade de autorização judicial, criando uma estrutura clandestina de monitoramento dentro da agência oficial de inteligência.
A investigação foi aberta após reportagens apontarem o uso político da ferramenta durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Moraes retirou o sigilo do caso depois de a PF entregar o relatório final das diligências, em junho de 2025.

