Ao longo da exibição de “Três Graças”, uma dupla roubou a cena e subverteu a lógica da vilania tradicional. Vandílson e Alemão, interpretados respectivamente por Vinicius Teixeira e Lucas Righi, rapidamente caíram nas graças da internet, ganhando um apelido que virou marca registrada: “bandivos”.
À CNN Brasil, os atores celebram o sucesso da parceria, revelam os bastidores da troca com Xamã e adiantam o que esperar do desfecho dessa jornada que mistura crime, humor e muito estilo.
De vilões a “bandivos”
Assim que apareceram em cena, esbanjado carisma, o sucesso da dupla foi instantâneo. O que poderia ser apenas mais um núcleo de criminalidade, ganhou contornos de entretenimento. Para Vinicius, a rapidez da recepção foi o que mais impressionou.
“Logo nas duas primeiras semanas, apelidos ‘bandivos’ e ‘traficunts’ surgiram na internet, e nós percebemos um carinho e um interesse do público pelos personagens. Acho que justamente essa junção de fatores tão diferentes (o humor, o estilo e o perigo), deram uma cara inovadora pros personagens, e apresentaram possibilidades que iam além dos estereótipos”, analisa.
Lucas concorda que o flerte com o cômico foi o “pulo do gato” para a aceitação da audiência. “Acho que desde o início da novela o público entendeu que os nossos personagens flertavam com o humor. Confesso que esse carinho para mim foi surpreendente; é lógico que eu esperava que o público gostasse, mas a reação foi melhor do que eu poderia imaginar”, acrescenta.
Para quem acompanha a teledramaturgia brasileira, atuar em uma obra assinada por Aguinaldo Silva é entrar em um universo de realismo fantástico e textos ágeis. Para ambos, o projeto marca um divisor de águas na carreira.
Vinicius, que cresceu assistindo aos clássicos dos anos 1990, descreve a experiência como uma maratona de aprendizado. “Foi um prazer e uma honra. Além disso, eu chegava no camarim e via Marcos Palmeira, Du Moscovis, Enrique Dias… a sensação era a de que eu estava aprendendo com os melhores”, revela.
Lucas também destaca a importância na agilidade que o folhetim exige. “Foi a minha primeira vez fazendo novela, então foi uma linguagem que fui aprendendo fazendo. O texto do Aguinaldo é muito criativo, inspirado e nos dá abertura para criar em cima. Sinto que amadureci muito; a novela te traz uma agilidade no pensamento, te coloca pro jogo cênico o tempo todo”.
Parceria com Xamã
Um dos pontos altos da trama é a interação da dupla com Bagdá, personagem encarnado pelo rapper Xamã. Segundo os artistas, a energia das ruas e a influência musical foram pilares fundamentais para o tom do núcleo.
“Esse encontro de nós três foi muito especial. O Xamã é um dos grandes responsáveis pelo crescimento do Vandilson e do Alemão na trama. A música esteve sempre presente nos nossos estudos, ressaltando a influência grande dos Racionais e do Mano Brown nesse processo. Nós três nos baseamos muito nas formas dele de falar, de se expressar, nas gírias”, conta Vinicius.
Já Lucas o elogia pela imensa capacidade de improviso. “Xamã é uma potência. Além de ser um grande cantor e compositor, ele é um ator de primeira, super criativo e parceiro. Ele tem uma agilidade de improviso que nos levou junto. A gente se divertia no set e queríamos que essa diversão fosse para a tela”.

Os “bandivos” mais estilosos da TV
Não se fala de Vandílson e Alemão sem mencionar o visual impecável. Do cabelo às tatuagens, a construção externa foi o que deu “corpo” aos bandidos mais estilosos da TV.
Lucas Righi chegou a criar detalhes biográficos para o personagem a partir do visual. “Quando vi a proposta do figurino, minha cabeça foi para vários lugares. Depois do primeiro dia que eu fiz a trança, cheguei em casa e comecei a criar o passado do Alemão. Percebi que ele precisava de uma cicatriz para simbolizar um ‘eu’ que precisou morrer para que o Alemão pudesse existir nesse mundo tão violento”, diz.

Enquanto isso, Vinicius afirma o impacto dessa imagem no público, citando um presente inusitado.
“Ganhei de uma pessoa que assistia a novela um boneco super realista do Vandilson, com as roupas e tatuagens iguaizinhas. Percebi que o trabalho de criação da imagem era muito importante para que o público se identificasse. O Vandilson tem uma imagem completamente diferente da minha, e me ver vestido nessa estética foi muito inspirador”.

O que esperar dos desfechos de “Três Graças”?
No próximo dia 15 de maio, o público se despede da obra após mais de 170 capítulos. Nesta fase, uma pergunta rodeia o público: os bandivos vão se regenerar? Os atores fazem mistério, mas garantem que a identidade da dupla permanece intacta.
“Não posso contar tudo, mas posso dizer que a essência deles continua ali, mas também existe uma transformação! A sensação de despedida é uma mistura de sentimentos; um trabalho que vai deixar muitas saudades”, adianta Vinicius.
“A essência ‘bandiva’ se mantém até o fim, e há uma redenção sendo construída nessa reta final. A despedida tem sido emocionante, passa um filme na minha cabeça lembrando do início em junho. Foi uma jornada linda, um personagem que eu acreditei e lutei por ele até o fim”, conclui Lucas.
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