A JBS reportou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 56% em relação aos US$ 500 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
O desempenho reflete principalmente a pressão sobre as operações de carne bovina nos Estados Unidos, em meio ao ciclo de alta do gado e ao aumento dos custos de produção.
Apesar da retração do lucro, a companhia manteve crescimento de receita. As vendas líquidas somaram US$ 21,6 bilhões entre janeiro e março, avanço de 11% na comparação anual.
O EBITDA ajustado, porém, caiu 26%, para US$ 1,13 bilhão, enquanto a margem EBITDA recuou de 7,8% para 5,2%.
Segundo o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni, dois negócios concentraram os maiores impactos negativos do trimestre: Beef North America e Pilgrim’s Pride.
“O aumento do preço do gado vivo superou a valorização dos cortes bovinos, refletindo a baixa oferta de animais nos EUA”, afirmou o executivo no relatório de resultados.
A divisão Beef North America registrou EBITDA negativo de US$ 267 milhões no trimestre, aprofundando as perdas frente ao resultado negativo de US$ 100 milhões um ano antes. A margem EBITDA da operação ficou negativa em 3,7%.
Já a Pilgrim’s Pride sofreu com paralisações temporárias de plantas e eventos climáticos adversos, o que derrubou o EBITDA em 32%, para US$ 450 milhões.
Na outra ponta, a operação brasileira ajudou a amortecer parte da deterioração dos resultados. A JBS Brasil elevou em 28% o EBITDA ajustado, para US$ 168 milhões, impulsionada pela demanda internacional aquecida e pela estratégia de diversificação geográfica.
A Seara também manteve rentabilidade elevada, com margem EBITDA de 15,5%, embora abaixo dos níveis recordes de 2025. As vendas da unidade cresceram 11%, apoiadas pela expansão do portfólio de produtos de maior valor agregado.
No caixa, a companhia queimou US$ 1,5 bilhão no trimestre, movimento sazonalmente comum no início do ano devido à concentração de pagamentos a fornecedores de gado e suínos.
O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,47 bilhão, pior do que os US$ 917 milhões negativos registrados um ano antes.
A alavancagem financeira subiu para 2,77 vezes dívida líquida sobre EBITDA, ante 1,99 vez no primeiro trimestre de 2025, mas permaneceu dentro da meta de longo prazo da companhia.
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