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Israel teme que EUA ignorem questões-chave em acordo com Irã, dizem fontes

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Israel teme que EUA ignorem questões-chave em acordo com Irã, dizem fontes

Israel está preocupado com a possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fechar um acordo com o Irã antes de abordar algumas das questões-chave que levaram os dois países a iniciar a guerra, disseram várias fontes israelenses à CNN.

Um acordo que deixe o programa nuclear de Teerã parcialmente intacto e que ignore questões como mísseis balísticos e apoio a grupos armados regionais faria com que Israel considerasse a guerra incompleta, pontuaram as fontes.

“A principal preocupação é que Trump se canse das negociações e feche um acordo – qualquer acordo – com concessões de última hora”, afirmou uma das pessoas ouvidas pela reportagem.

Embora autoridades americanas tenham assegurado a Israel que a questão do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã será abordada, a fonte destacou que a aparente exclusão da questão dos mísseis balísticos e da rede de aliados de Teerã das negociações “é um problema sério”.

Durante a guerra, o Irã disparou mais de mil mísseis balísticos contra Israel e os Estados árabes do Golfo, além de uma série de drones.

Um acordo parcial que não aborde algumas das principais capacidades do Irã, ao mesmo tempo que alivie a pressão econômica sobre o país, também poderia estabilizar o regime e injetar dinheiro nele, disseram as autoridades.

As preocupações evidenciam uma divergência entre Trump, que parece relutante em retomar a guerra, e Netanyahu, que teme que ela termine sem atingir todos os seus objetivos iniciais.

Uma porta-voz da Casa Branca afirmou que o Irã “sabe muito bem que sua realidade atual não é sustentável”, insistindo que Trump “tem todas as cartas na manga” nas negociações.

“Seus mísseis balísticos foram destruídos, suas instalações de produção foram desmanteladas, sua Marinha foi afundada e seus aliados foram enfraquecidos”, disse Olivia Wales, porta-voz do governo, em um comunicado à CNN.

“Agora, eles estão sendo estrangulados economicamente pela Operação Fúria Econômica e perdendo US$ 500 milhões por dia graças ao bloqueio bem-sucedido dos portos iranianos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos”, adicionou.

Um acordo entre os EUA e o Irã para pôr fim à guerra está longe de ser certo, com divergências significativas ainda presentes nas posições de ambos os lados sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear de Teerã, e Israel se prepara para a possibilidade de uma retomada dos combates.

Ainda assim, o governo Trump tem insistido em uma solução diplomática, aparentemente relutante em reiniciar um conflito que fez disparar os preços da gasolina nos EUA.

Redução dos objetivos na guerra do Irã

No início da guerra, Trump sugeriu que os EUA queriam destruir o programa de mísseis balísticos do Irã, acabar com seu apoio a grupos armados regionais e fechar suas instalações nucleares para que o país jamais pudesse desenvolver uma bomba.

Mas, dez semanas depois, as negociações se concentraram no urânio – especificamente sobre seu enriquecimento para níveis adequados para armas nucleares – e na reabertura do Estreito de Ormuz.

O estreitamento das metas tem sido visível nas próprias declarações públicas do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em um discurso proferido em Jerusalém, em fevereiro, antes da guerra com o Irã, ele estabeleceu cinco condições para um acordo aceitável:

  • remoção de todo o urânio enriquecido;
  • desmantelamento das instalações de enriquecimento;
  • resolução da questão dos mísseis balísticos;
  • desmantelamento da rede regional de grupos armados apoiados pelo Irã;
  • inspeções nucleares rigorosas.

Na semana passada, em um discurso em vídeo antes de uma reunião do Gabinete de Segurança israelense, ele reduziu essa lista a um único objetivo.

“O objetivo mais importante é a remoção do material enriquecido do Irã – todo o material enriquecido – e o desmantelamento das capacidades de enriquecimento do Irã”, disse ele, sem mencionar mísseis balísticos ou apoio a grupos aliados, como o Hezbollah, no Líbano, ou o Hamas, na Faixa de Gaza.

Uma fonte familiarizada com as discussões afirmou que Israel entende que os mísseis e os grupos aliados “provavelmente estão fora de questão”, já que não parecem estar incluídos nas primeiras versões do acordo diplomático, e é por isso que Netanyahu está priorizando o urânio como a ameaça mais imediata.

O primeiro-ministro se baseia em suas comunicações diretas com Trump, disse uma das fontes israelenses, pois não confia totalmente no enviado do americano, Steve Witkoff, e no genro do presidente, Jared Kushner, que têm liderado as negociações com o Irã.

Netanyahu tem construído uma diplomacia paralela com o Irã por meio de informações coletadas do Paquistão, Catar e Teerã.

“Existe uma preocupação real de que Trump chegue a um mau acordo. Israel está tentando influenciá-lo o máximo possível”, alegou um outro funcionário israelense à CNN.

Mas Netanyahu está cauteloso quanto à pressão que pode fazer, receoso de ser visto como alguém que está levando Trump de volta à guerra.

A Casa Branca disse à CNN que Witkoff e Kushner têm “total confiança” de Trump, destacando o que descreveu como um “histórico de sucessos”, incluindo o fim da guerra em Gaza.

Autoridades israelenses temem que o alívio da pressão econômica – mesmo que parcial – possa estabilizar o regime iraniano em um momento de fragilidade.

Meir Ben Shabbat, ex-conselheiro de segurança nacional de Netanyahu, escreveu no fim de semana no jornal israelense Makor Rishon que qualquer acordo deve evitar permitir a recuperação do regime, apontando, em vez disso, para a recente declaração de Trump de que “talvez seja melhor não haver acordo algum” como um resultado preferível a um acordo que não atenda aos objetivos de Israel.

O aparato de segurança israelense está particularmente preocupado com um acordo provisório que estenderia o cessar-fogo, reabriria o Estreito de Ormuz e aliviaria a pressão econômica sobre o Irã sem, no entanto, abordar a questão nuclear.

O Irã insistiu que um acordo preliminar abrangesse apenas o alívio das sanções e o estreito, relegando a questão nuclear a etapas posteriores.

“Ficaremos felizes se não houver acordo”

Um alto funcionário israelense disse à CNN que Israel permanece em alerta máximo para um possível fracasso nas negociações.

“Estamos acompanhando de perto a situação. Ficaremos satisfeitos se não houver acordo, ficaremos satisfeitos se o bloqueio a Ormuz continuar e ficaremos satisfeitos se o Irã conseguir alguns ataques adicionais”, destacou ele, reconhecendo que a decisão final cabe a Trump.

Ainda segundo essa fonte, a escalada no conflito é um cenário realista “se os iranianos continuarem a protelar e a prolongar as negociações”.

Outra fonte familiarizada com as discussões afirmou que os EUA e Israel continuaram a coordenar possíveis planos militares contra o Irã, incluindo ataques a instalações e infraestrutura de energia, bem como assassinatos seletivos de líderes iranianos, caso as negociações fracassem.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma grande explosão e colunas de fumaça subindo em Isfahan, no Irã • Redes Sociais

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, Boaz Bismuth, refletiu a opinião predominante em uma publicação após uma reunião confidencial com altos líderes militares.

“Ou são negociações ou um boom”, publicou Bismuth no domingo.

Uma fonte israelense disse à CNN que a ideia de uma cláusula de expiração foi levantada nas negociações – uma disposição que permitiria que algumas restrições expirassem após um determinado número de anos.

Essa expiração permitiria ao Irã retomar algumas atividades nucleares, como no acordo nuclear iraniano de 2015, negociado durante o governo do presidente Barack Obama.

Tanto Netanyahu quanto Trump criticaram repetidamente esse acordo, conhecido como JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), e Israel teme que a atual estrutura de negociações possa conter elementos semelhantes.

A fonte afirmou que Israel está pressionando para inserir duas cláusulas que poderiam diferenciá-lo do JCPOA:

  • uma proibição total do enriquecimento durante o período de transição;
  • e o desmantelamento das instalações subterrâneas iranianas de Fordow e do complexo de Pickaxe Mountain, ambas altamente fortificadas, onde se acredita que o Irã esteja aprimorando suas capacidades nucleares.

Um alto funcionário militar israelense disse a repórteres no mês passado que, se a guerra terminar sem que o urânio enriquecido do Irã seja extraído, será considerado um fracasso.

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