Pedro Lupion, presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), afirmou nesta terça-feira (12) que a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes à UE (União Europeia) não tem natureza sanitária — e sim política. Para ele, a decisão é um recado do bloco aos agricultores europeus em ano eleitoral.
“Não há nada sanitário nessa questão. Isso é muito mais uma questão política local do que uma questão internacional. Meu entendimento político disso é que foi um recado interno: acalmem aí, nós estamos cuidando de você”, disse ao CNN Agro.
Lupion reconheceu que a pressão protecionista europeia não é nova. Segundo ele, o resultado das últimas eleições no bloco acelerou esse movimento.
“Existe uma batalha enorme do produtor europeu para que o bloco seja mais protecionista. Os nossos produtos chegam lá com muito mais competitividade, preço muito menor. A mudança política de todo o bloco europeu foi muito clara nas últimas eleições, eles elegeram parlamentares muito mais protecionistas”, afirmou.
O presidente da FPA também revelou um problema estrutural que, segundo ele, alimentou durante anos a narrativa contrária ao agro brasileiro na Europa: os dados do Brasil no sistema da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) ficaram desatualizados por mais de uma década. A falha foi descoberta durante uma missão à Roma da qual participou ao lado da senadora Tereza Cristina (PP-MS) no início do ano passado.
“O sistema que alimenta os dados da FAO, lá em Roma, não era alimentado há mais de 10 anos. Uso de defensivo, aproveitamento do solo, nada era aprovado por burocracia, simplesmente. O Mapa tinha que fazer, não fazia. Aí o Ibama ia fazer, fazia no interesse deles”, disse.
“A diplomacia ficava brigando e tentando resolver a narrativa contrária a nós, sendo que os dados que estávamos apresentando eram os dados que nós mesmos colocamos”, frisou.
Lupion contou que foi a própria embaixadora responsável pela FAO quem convocou a delegação brasileira para explicar o problema.
“Ela nos chamou lá, nos levou à FAO para a gente ouvir isso. O estatístico-chefe da FAO falou: pelo amor de Deus, tragam os números”, relatou.
Segundo ele, numa reunião com secretarias de Agricultura e Meio Ambiente da UE, o Brasil chegou a contestar dados que ele mesmo havia fornecido ao bloco.
“Ela falava: ‘mas foram vocês que me deram esses números, como é que vocês estão contestando?’ Não, mas esses números estão errados”, contou.
O deputado disse que o processo de correção começou recentemente, com o envio de uma missão da FAO ao Brasil para levantar os dados reais junto a entidades do setor. “Diz que está mudando”, afirmou, sem esconder o ceticismo sobre o ritmo das correções.
Em nota oficial, a FPA classificou a medida europeia como potencial tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas e defendeu uma solução diplomática.
A frente ressaltou que o Brasil segue habilitado a exportar e que eventual restrição só ocorre caso as garantias formais não sejam apresentadas até 3 de setembro — quando a norma passa a valer.

