O Brasil se tornou o maior exportador de algodão em pluma em 2025, ultrapassando os Estados Unidos. O crescimento é expressivo: há pouco mais de 20 anos, o país exportava cerca de 3 mil toneladas da fibra; na safra atual, esse número chegou a quase 3 milhões de toneladas.
A Louis Dreyfus Company (LDC) lidera o ranking de comercialização da fibra no país e figura entre as principais exportadoras do algodão brasileiro. Em fevereiro, a empresa inaugurou um hub logístico multimodal em Rondonópolis, em Mato Grosso, voltado ao armazenamento e escoamento do algodão em pluma.
O hub opera como um ponto de integração entre o fornecimento de insumos e o recebimento da produção. “O produtor pode ir lá pegar esse produto e, para fazer isso, ele já entrega o algodão dele. Então a gente consegue casar as duas operações”, explicou Dawid Wajs, da LDC.
A escolha por Mato Grosso é estratégica: o estado responde por 72% da produção nacional de algodão, enquanto a Bahia contribui com aproximadamente 20%. A empresa também mantém armazém em Luiz Eduardo Magalhães, na Bahia.
Os fardos de algodão, cada um com cerca de 200 kg — o equivalente a aproximadamente mil camisetas —, são transportados por carretas ou por trem até os portos do Sudeste, especialmente santos, que corresponde a exportação de cerca de 95% de toda a pluma brasileira.
A LDC também está expandindo um armazém em Cubatão, ao lado do porto de Santos, para o processo de estufagem para preparar os fardos para serem exportados em containers. Na avaliação do CEO, esse investimento é para combater um gargalo logístico.
“Esse investimento em Cubatão é nossa ‘joia da coroa’ porque é facilita exportação e conecta a origem ao destino final”, afirmou Wajs.
Capacidade e perspectivas
O hub de Rondonópolis possui capacidade estática para armazenar até 21 mil toneladas de algodão a céu aberto.
O complexo também conta com uma misturadora de fertilizantes, com capacidade de 100 mil toneladas, que recebe os insumos por trem e facilita a entrega ao produtor. O armazém Redex em Cubatão, por sua vez, tem capacidade para comportar até 125 milhões de camisetas, o equivalente a um navio de contêineres.
Dawid Wajs destacou que o Brasil produziu cerca de 20 milhões de fardos na última safra e ressaltou a importância da infraestrutura de armazenagem para que os produtores possam “limpar” as fazendas e se preparar para o próximo ciclo.
“A gente está falando que passou quase um ano de que ele produziu esse algodão, que ele beneficiou esse algodão e ele continua na fazenda”, disse.
Investimentos e visão de longo prazo
O CEO adiantou que a empresa vai fazer novos aportes nos próximos anos: “Não é uma aposta, é uma certeza num Brasil que cresce”, afirmou.
Para 2026, a expectativa é de que a safra não seja maior em função dos preços, mas Dawid Wajs sinalizou perspectivas mais favoráveis para 2027. “A gente acredita muito no Brasil. Grande parte dos nossos investimentos globais estão colocados no Brasil”, concluiu.

