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Geopolítica das commodities revela vulnerabilidade do Brasil, diz Jank

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O Brasil enfrenta vulnerabilidades significativas diante da nova geopolítica das commodities, segundo Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global. Em participação no WW Especial, o especialista analisou o peso estratégico dos produtos primários na economia brasileira e os riscos associados à dependência externa em setores críticos.

Jank destacou que atualmente 75% das exportações brasileiras — que atingiram 350 bilhões de dólares no ano passado — são compostas por commodities agropecuárias, minerais e energéticas. “O agro corresponde a 50%, mineração e energia são 25% e todo o resto da economia chega a 25% das vendas para o exterior”, afirmou. O especialista lembrou que há alguns anos essa concentração era criticada como sinal de atraso econômico e de desindustrialização do país, visão que passou a mudar diante dos gargalos na logística mundial devido aos conflitos mundiais.

Como exemplo desta reconfiguração sobre o valor estratégico das commodities, Marcos Jank citou a guerra da Ucrânia, que envolveu questões de grãos e fertilizantes, e alertou que o impacto dos bloqueios no estreito de Ormuz tende a ser ainda mais severo do que aquele registrado em 2022. “A questão de Ormuz é praticamente tudo: insumos, petróleo, etc.”, disse. Além disso, mencionou as disputas em torno da Venezuela, do Irã e dos minerais críticos, que constituem o centro da rivalidade entre Estados Unidos e China.

O especialista apontou que o Brasil depende de 85% a 90% de importações para suprir sua demanda por fertilizantes, uma lacuna que, segundo ele, deveria ter sido endereçada anteriormente. Na área de energia, o coordenador do Insper Agro Global ressaltou que embora o país seja exportador líquido de petróleo, ainda importa cerca de 25% do diesel, da gasolina e da querosene consumidos internamente. “Tem essa vulnerabilidade lá nos derivados de petróleo, nos fertilizantes”, afirmou. Já no segmento de bioenergia, o Brasil avançou internamente, mas não conseguiu globalizar sua proposta, uma vez que o mundo ainda não aceita amplamente esse modelo energético.

Jank reconheceu avanços expressivos no agronegócio: o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior exportador de commodities agropecuárias do mundo há dois anos. No entanto, o setor de minerais críticos ainda está longe de atingir seu potencial. Para o especialista, o que falta ao país é uma estratégia de médio e longo prazo capaz de responder à nova geopolítica global. “Essa nova geopolítica vai continuar, mesmo que se abra o Ormuz. Então, onde o Brasil pode se posicionar? Quem são os nossos novos aliados? Acho que essa que é a questão”, concluiu.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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