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Venezuela confirma morte de preso político e abre investigação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

Cerca de 10 meses tiveram que se passar desde a morte de Víctor Hugo Quero Navas, detido por motivos políticos na Venezuela, para que sua mãe pudesse confirmar que o filho que ela buscava já não estava mais vivo.

Víctor Quero, de 50 anos, estava detido desde 3 de janeiro de 2025 no Centro Penitenciário Rodeo I, sob custódia do Estado venezuelano.

Em 7 de maio deste ano, o Ministério do Poder Popular para o Serviço Penitenciário confirmou sua morte por meio de um comunicado. Ele faleceu em 24 de julho de 2025, pouco mais de seis meses após sua privação de liberdade, segundo as autoridades.

A cruzada de incerteza e dor que Carmen Teresa Navas iniciou há mais de um ano em busca de seu filho terminou diante de uma sepultura.

Desde a detenção em janeiro de 2025, a mãe de Quero vinha denunciando que aguardava uma resposta das autoridades.

“Que me deem notícias do meu filho, onde ele está? Se estiver vivo… porque desde que o prenderam não o vi uma única vez”, pedia Navas à imprensa em 4 de maio na Praça Altamira, em Caracas.

Com os olhos úmidos, segurava uma foto do filho e um cartaz com a palavra “desaparecido”.

Na quinta-feira (7), apenas três dias depois, chegou a resposta que mais temia.

Um ano e quatro meses sem notícias do filho

Desde 2014, foram contabilizadas 19 pessoas presas por motivos políticos que morreram na prisão, segundo registra a organização não governamental de direitos humanos Foro Penal, que acompanha e oferece defesa legal para esse tipo de caso.

Navas, de 82 anos, participou de manifestações, visitou prisões e entrou em contato com as autoridades, mas dizia que só recebia negativas e silêncio. Ninguém podia lhe dar certeza sobre o paradeiro do filho.

A mulher insistia que não tinha detalhes sobre a prisão do filho, que trabalhava no comércio e era seu sustento econômico. Ele, garante, foi acusado de terrorismo, e ela afirma que era inocente.

“Então eu tive este, vamos dizer, viacrucis… Para uma mãe, é extremamente difícil que neguem informações sobre onde está o filho”, dizia a mulher sobre a busca que havia empreendido, até então sem novidades.

Três dias depois, a busca terminou com a confirmação oficial da morte de Víctor. A notícia foi divulgada dois dias após a mulher denunciar que a amnistia havia sido negada ao filho.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou em 23 de abril o fim da histórica Lei de Anistia, promulgada pelo seu governo meses antes e que buscava, segundo seus proponentes, consolidar a paz e a convivência com a libertação de presos políticos.

Isso ocorreu em uma tentativa de mostrar boa vontade e reconciliação após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, detido em 3 de janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas e outras cidades venezuelanas.

O caso de Carmen Teresa Navas é apenas um entre dezenas de mães, esposas e familiares de detidos por razões políticas que dizem ter passado semanas ou meses sem saber como estavam seus entes queridos, sem ter qualquer detalhe sobre seu paradeiro ou estado de saúde.

Silêncio, incerteza e dúvidas

A morte de Víctor Quero ocorreu em 24 de julho de 2025, segundo informações oficiais, após ele sofrer uma hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda.

As autoridades afirmam que Quero não forneceu dados sobre vínculos familiares e que nenhum parente se apresentou para solicitar uma visita formal na prisão de alta segurança onde esteve encarcerado.

O Ministério Público da Venezuela anunciou o início de uma investigação penal e se comprometeu a realizar todos os procedimentos necessários para esclarecer os fatos de forma oportuna e imparcial.

A defensoria, por sua vez, além de pedir o estabelecimento de responsabilidades, instou a promover reformas para erradicar abusos.

Organizações de direitos humanos na Venezuela reagiram com indignação.

“A regra era o silêncio… o silêncio, a incerteza, a violação aos direitos humanos, mas além disso há uma violação aos direitos religiosos de, ao menos, permitir que a mãe sepultasse seu filho”, disse Alfredo Romero, presidente e diretor do Foro Penal.

Carmen Teresa Navas exigiu um teste de DNA para confirmar que os restos correspondiam aos de Víctor.

A polícia científica exumou o corpo na sexta-feira (8), conforme havia antecipado o Ministério Público em comunicado. No mesmo dia, ele foi sepultado em um cemitério diferente daquele onde estava anteriormente e onde sua família agora poderá recordá-lo.

Até 4 de maio, o Foro Penal registrava mais de 450 presos detidos por motivos políticos. Enquanto isso, a indignação e as perguntas sobre o paradeiro de outras pessoas desaparecidas se multiplicam tanto em manifestações públicas quanto nas redes sociais.

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