Uma frente fria avança pelo Brasil neste final de semana, levando temperaturas baixas a diversas regiões do país, inclusive ao sul da Amazônia. Apesar do frio sentido agora, o meteorologista Alexandre Nascimento afirma que o inverno deste ano deve ser menos rigoroso do que o do ano passado, em razão da formação do fenômeno El Niño.
Em entrevista ao Agora CNN, Nascimento explicou que a chegada do frio neste período é esperada, embora tenha demorado um pouco mais do que o habitual. “É uma situação normal, esperada para essa época do ano. Ela até demorou um pouquinho mais, já é comum ali no começo de maio a gente ter alguns dias frios”, afirmou.
A massa polar associada à frente fria está se deslocando pelo país e alcança até o sul da Amazônia, em um fenômeno chamado de friagem. Segundo Nascimento, esse evento ocorre quando a massa polar, originada na Antártica e acompanhada de um sistema de alta pressão, consegue avançar até aquela região.
“A temperatura cai por lá. Lógico que, assim como no Rio de Janeiro, o frio é um pouquinho mais ameno, mas já é o suficiente para deixar as pessoas da região em uma situação que não é muito comum”, explicou.
O especialista destacou temperaturas registradas em diferentes estados. Em Santa Catarina, a mínima absoluta foi de – 1ºC na região de Urupema. No Rio Grande do Sul, 1°C na Serra Gaúcha. No Paraná, 0°C nas cidades de Ponta Grossa e Guarapuava. No Mato Grosso do Sul, 6°C em regiões próximas à fronteira com o Paraguai. Em São Paulo, a capital registrou 15°C às 10 horas da manhã, a mesma temperatura de Cuiabá no mesmo momento.
El Niño deve amenizar o alto inverno
Questionado sobre as perspectivas para o inverno a partir de junho, Nascimento foi direto: o frio deve ser menos intenso do que no ano anterior. “Nós temos aí para os próximos meses a formação do fenômeno El Niño. É bem provável que esse finalzinho de outono e até o começo do inverno seja mais frio do que o alto inverno”, disse.
Segundo ele, em julho e agosto as temperaturas já devem estar acima do normal, o que é um efeito típico do El Niño. Antes disso, novas massas polares ainda devem trazer frio ao longo de maio, junho e início de julho.
Risco de chuvas intensas já passou
Sobre o risco de chuvas fortes, Nascimento informou que o momento mais crítico já ficou para trás. A frente fria provocou precipitações significativas em estados como Santa Catarina, Paraná e no litoral de São Paulo. Na região do Vale do Ribeira, choveu quase 70 milímetros em 24 horas.
“À medida que a frente fria vai avançando pelo país, ela vai se deslocando para o oceano, e aí o risco de chuva forte já deixa de existir”, explicou. No momento da entrevista, a frente já se encontrava próxima ao litoral do Rio de Janeiro e deve se afastar completamente nesta segunda-feira (11).
Sistemas diferentes atuam no Norte e Nordeste
Nascimento também esclareceu que as fortes chuvas que atingiram Pernambuco e Paraíba durante a semana não têm relação com a frente fria do centro-sul do país. “Os sistemas meteorológicos que atuam sobre o norte e o nordeste são bem diferentes desses que a gente tem no centro e sul do Brasil”, afirmou.
Na região Norte e Nordeste, os fenômenos responsáveis pelas chuvas são a zona de convergência intertropical e os distúrbios ondulatórios de leste. Segundo o especialista, esses sistemas ficaram mais fracos desde a última quarta-feira (6), e não há expectativa de chuvas tão intensas para a região no curto prazo.
Semana começa gelada e termina com chuva
Para a semana seguinte, Nascimento previu um cenário variado, especialmente no centro-sul do país. O início da semana deve ser marcado por tempo firme, porém muito frio, com expectativa de geada no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná. Em pontos das Serras Gaúcha e Catarinense, temperaturas negativas são possíveis.
A partir de quarta-feira (13), a temperatura volta a subir rapidamente. Entre quinta-feira (14) e o final da semana, uma nova frente fria deve percorrer o mesmo trajeto, chegando ao Sudeste entre os dias 18 e 19, trazendo chuva e nova queda de temperatura. “A semana começa gelada e com tempo firme e termina cheia de nuvens e com chuva”, resumiu o meteorologista.
No Norte, chuvas moderadas a fortes seguem previstas entre o norte do Amazonas e o litoral do Maranhão, enquanto em Recife e João Pessoa há previsão de chuva, mas sem grandes temporais.
