O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (8) que a introdução da China nas relações comerciais brasileiras ocorreu em razão de os Estados Unidos e de a União Europeia “abandonarem” o Brasil.
“O Brasil não tem nenhum preconceito com relação comercial. Até 2008, os EUA eram o maior parceiro comercial, mas entrou a China porque vocês abandonaram o Brasil. A UE se voltou muito ao Leste Europeu, e a América Latina e África ficaram esquecidas. Os chineses entraram contribuindo de forma extraordinária, nós não vamos recusar. Estaremos de braços abertos”, afirmou durante evento em Brasília sobre investimentos no programa Luz Para Todos.
Lula também deu destaque para detalhes de sua conversa com o presidente norte-americano, Donald Trump, na última quinta-feira (7), em Washington.
O petista declarou que uma das conquistas da viagem aos EUA foi “provar que Trump estava cometendo um erro” ao justificar o tarifaço contra produtos brasileiros afirmando ter déficit nas relações comerciais.
“No Twitter, o presidente publicou que tinha déficit. Em 15 anos, entre bens e serviços, eles tiveram superávit com o Brasil de US$ 415 bilhões. Quem tem déficit é o Brasil, ano passado, com US$ 14 bilhões. Eu disse para ele que não quero guerra com ele. Sei que ele tem o melhor caça, navio do mundo, tudo isso. É preciso disputar comigo na narrativa, fatos”, disse Lula.
Por fim, o presidente mencionou a boa relação que construiu com Trump desde o breve encontro na Assembleia Geral da Nações Unidas no ano passado e como o governo federal se movimentou para resolver o problema do tarifaço.
“Eu sempre me comportei para não tomar decisão precipitada. Eu com 39° de febre não tomo decisão. Primeiro, abaixo a febre para 36º e aí tomo minha decisão. Não quero guerra, quero provar que nós estamos certos. Hoje, posso dizer para vocês que estamos trabalhando com os EUA muito seriamente”, concluiu Lula.
*Sob supervisão de João Ker

