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Tenente-coronel assediou e contatou PM após morte de esposa, diz denúncia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Uma nova denúncia realizada no último dia 30 de abril aponta que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pelo feminicídio de Gisele Alves Santana, assediou e procurou contato com uma soldado da Polícia Militar após a morte da esposa.

De acordo com o documento, no dia 4 de março, 14 dias após a morte da soldado Gisele, Geraldo entrou em contato com a denunciante, tentando se explicar sobre o homicídio do qual estava sendo acusado. A policial afirma que pediu à ele para que a deixasse em paz, pois estava sendo associada como amante dele em razão do seu comportamento “maluco”.

A defesa da soldado alega que o tenente-coronel descobriu o endereço da residência dela, foi até lá sem seu consentimento e estava sempre insistido em ter um relacionamento amoroso com ela. O advogado afirma que a policial nunca o correspondeu e sentia que o oficial era uma ameaça em potencial.

Segundo a vítima, ela não sabia do que ele era capaz, até a esposa dele aparecer morta e ele ser preso. A soldado afirma que só teve coragem de fazer a denúncia após o caso.

Nova denúncia

Conforme consta na denúncia, a policial relata diversas tentativas de Neto em ter um relacionamento amoroso com ela. Além disso, ela descreve comportamento persecutório por parte do Oficial. A CNN Brasil teve acesso a notícia crime enviada pela defesa da soldado, que não será identificada, no fim de abril deste ano.

No documento, a defesa da policial acusa Neto de descumprimento de missão, assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual.

A soldado trabalhava como auxiliar no mesmo batalhão que o Oficial, onde, segundo ela, começaram as investidas e tentativas de proximidade. Ela relata que Neto solicitou uma reunião particular com ela na cozinha do batalhão e ofereceu o cargo de secretária particular dele.

Antes mesmo que ela respondesse, o tenente-coronel espalhou a mudança de cargo para os colegas. Mesmo assim, Rariane afirma que recusou o convite.

Em resposta, o tenente-coronel disse que a “puxaria” para a função mesmo sem seu consentimento, pois ele, como comandanete, possuía “o poder hierárquico e disciplinar sobre todos policiais do batalhão”.

Com as insistências por parte do comandante, a soldado solicitou a transferência do trabalho na administração para o patrulhamento na rua.

Insistências e declarações

Mesmo após a transferência, a solado afirma que Neto continuou tentando, de diversas maneiras, se aproximar dela e continuava demonstrando interesse em sua vida pessoal. Além de ligações e mensagens recebidas recorrentemente, o tenente-coronel também a procurava em outros efetivos e até na residência dela.

Em agosto de 2025, Neto teria descoberto que a soldado e outro policial teriam um compromisso na prefeitura e disse que levariam os dois até o local, pois estaria atuando na mesma região.

Um mês depois, o policial chegou a levar pessoalmente um buquê de flores na casa da soldado. Por ele estar sem farda, a soldado só conseguiu perceber que se tratava dele quando chegou perto. Assim que o viu, ela diz ter se afastadio, mas afirma que o tenente-coronel seguiu no local gritando seu nome. Pouco tempo depois, ele foi visto novamente no mesmo endereço, mas, dessa vez, fardado.

Ainda conforme a denúncia, a soldado evitava ficar sozinha e recusava todas as escalas voluntárias em que Neto aparecia. Porém, o tenente-coronel tentava manter contato com três policiais que eram mais próximas da soldado, como forma de convencê-las de que ele gostava dela e que estaria separado da mulher — a soldado Gisele Alves.

Gisele chegou, inclusive, a procurar a soldado Gisele após descobrir o comportamente do tenente-coronel. “A esposa certamente já sabia das intenções dele”, afirma a denúncia. 

A PM também relata que Neto se gabava de sua liderança perante todos os policiais e já afirmou, em uma ocasião, que qualquer denúncia que chegasse contra ele seria administrada por um policial e amigo pessoal do comandante.

Outro lado

Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirmou que não possui ciência sobre a denúncia.

CNN Brasil também procurou a Corregedoria da Polícia Militar, mas não obteve respostas até o momento. O espaço segue aberto.

Relembre o caso

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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