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Minerva projeta maior rentabilidade com China apesar das cotas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

A China deve seguir como o principal mercado para as exportações de carne bovina da Minerva Foods no primeiro semestre de 2026, sustentada por preços mais elevados pagos pelo produto destinado ao país asiático. Apesar das medidas de salvaguarda e das restrições relacionadas às cotas de importação, a companhia disse esperar manter neste ano o mesmo volume embarcado para o mercado chinês em comparação com 2025, com perspectiva de maior rentabilidade nas operações.

Durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre, realizada nesta quinta-feira (7), o CEO da companhia, Fernando Queiroz, afirmou que a China teve maior relevância no início do ano e deve permanecer mais importante que os Estados Unidos ao longo do primeiro semestre. “Depois, os EUA passam a ser mais importantes”, disse.

Segundo a empresa, a Ásia respondeu por 36% dos embarques de carne bovina no trimestre, sendo a China responsável por 29% do total. Em termos de receita bruta, a Ásia representou 17% e a China, 10%. As exportações corresponderam a 63% da receita da companhia no período.

O CFO da companhia, Edson Ticle, afirmou que, apesar da cota chinesa aplicada ao Brasil, a expectativa é manter os volumes exportados ao país asiático neste ano. Segundo ele, as operações da empresa na Argentina, Uruguai e Colômbia devem compensar parte das restrições ao Brasil, já que esses países seguirão com acesso ao mercado chinês quando as cotas brasileiras forem preenchidas.

“Para nós, o volume de China vai ser igual, mas com preços muito maiores este ano do que no ano passado”, afirmou Ticle, acrescentando que a companhia espera “um ganho muito maior de China” em relação ao ano anterior.

A expectativa da companhia é que a cota chinesa seja completamente preenchida até o terceiro trimestre, com os primeiros efeitos sentidos já em abril. Segundo Queiroz, após esse período, os mercados internos devem ganhar maior relevância para a empresa. “Vemos mudança de destino A para destino B, mas ainda vemos a China como principal destino”, afirmou.

O CEO também destacou que fatores como câmbio e competitividade global seguem orientando as decisões comerciais da companhia. Segundo ele, o mercado brasileiro tem apresentado resiliência, enquanto outros países da América do Sul também vêm mostrando desempenho positivo para a empresa.

Projeções 

A Minerva projeta margens menores em 2026, em meio ao aumento do preço da arroba do boi, mas avalia que o crescimento da receita deve compensar parcialmente a pressão sobre a rentabilidade, segundo o CFO.

Ele afirmou, porém, que fatores relacionados a mercados como Argentina, China e Estados Unidos podem abrir “avenidas de alavancagem de margem”.

O executivo disse que a empresa espera uma queda adicional da margem bruta ao longo do ano, parcialmente compensada pela redução de custos e pela diluição de despesas decorrente da integração dos ativos adquiridos pela companhia.

“Muito provavelmente as margens desse ano ficarão menores que no ano passado, mas achamos que o top line vai mais que superar”, afirmou Ticle.

A companhia também prevê maior necessidade de capital de giro em 2026. De acordo com o CFO, o primeiro e o segundo trimestres devem registrar consumo de caixa, enquanto a expectativa é de liberação de capital de giro na segunda metade do ano.

Segundo Ticle, o aumento médio de 13% no preço da arroba deve elevar a necessidade de capital de giro entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões ao longo do ano. Ainda assim, a empresa projeta encerrar o período com capital de giro “praticamente zerado”, refletindo o impacto do maior custo da matéria-prima.

Em relação aos investimentos, o executivo afirmou que o capex (despesas de capital) deve permanecer no mesmo nível registrado no primeiro trimestre. Na comparação com 2025, a expectativa é de redução de cerca de R$ 200 milhões, após investimentos adicionais destinados à adequação dos ativos adquiridos recentemente a um patamar operacional mínimo.

Queiroz destacou a dinâmica dos mercados consumidores e a capacidade de arbitragem geográfica da empresa. Segundo ele, o mercado interno está mais forte, ainda que nem sempre consumindo carne produzida localmente.

“O mercado interno mais forte, mas não necessariamente com carnes produzidas no próprio país, [mostra] a capacidade de arbitragem que a Minerva tem por fazer esses movimentos, por compensar o que o país está exportando com seu mercado interno e com o externo”, afirmou o executivo.

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