Após um 2025 de margens apertadas e custos do café como matéria-prima mais altos, a italiana illycaffè espera ter uma maior rentabilidade este ano.
De acordo com o presidente da empresa, Andrea Illy, o custo do grãos ainda continuará mais alto, depois de uma média de três vezes mais caro do ano passado, mas a lucratividade será compensatória.
O executivo vê uma recuperação de margens, ainda que a volatilidade seja uma premissa do mercado cafeeiro.
“A política de arbitragem da empresa em ser prudente está atentando riscos e garantindo ótimos resultados”, disse em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (7), em São Paulo.
Illy explicou que, apesar de o ano ser de uma safra global maior e com preços menores de café ainda não fazem o grão ter um custo mínimo no passado. Depois de dois anos de cotações elevadas nas bolsas internacionais (2024 e 2025), o executivo comenta que é necessário um período de absorção do choque de custos e que a companhia passou por ele para conseguir recuperar as margens ao longo deste ano.
Este ano, a empresa prevê uma colheita abundante diante da melhora do clima para o café e do aumento de novas lavouras de cafés, consequência de preços mais altos do café que atraíram entrantes na cadeia.
Andrea Illy agregou que, este ano, a produção estará equiparada ao consumo, embora os estoques permaneçam baixos e continuem pressionando o mercado do café.
Outro fundamento que pode mexer com o mercado, disse ele, é a possibilidade do “super El Niño”, que podem se tornar pontos de interrogação do futuro em termos de volume produzido ao passo que funcionam como sustentação do preço do mercado.
A empresa continua apostando no produto brasileiro que é premium e cultivado sob o sistema de agricultura regenerativa, que garante a receita tradicional da illy feita na Itália e até reexportada ao Brasil.
“Agricultura regenerativa em menos de dez anos se tornou universal. Minas Gerais é o destaque e mostra grandes benefícios ao produtor de lucro, produtividade, qualidade e resistência às secas”, destacou Andrea Illy.
Segundo ele, vender o café pronto ao Brasil é como “vender geladeira aos esquimós”, mas é um negócio que está dando certo e consolida o mercado brasileiro como um dos principais fornecedores do grão para o grupo italiano.
Hoje, a illy paga 30% mais de prêmio e acima do mercado para produtores brasileiros pela diferenciação de qualidade do Brasil.
Sobre os riscos geopolíticos, o executivo afirmou que será preciso conviver com as incertezas a longo prazo, mas que a companhia dribla eventuais problemas de abastecimento de seus estoques mantendo uma estratégia de compra direta com produtores, com agrônomos no campo acompanhando o desenvolvimento das lavouras a fim de antecipar riscos e garantir resultados de compras e, depois, de vendas.
A empresa deve continuar com aportes em novos produtos e canais de vendas, em especial no Brasil. A estratégia é manter o volume de compras anuais, comprando a safra completa para ter estoques mais altos que torrefadoras que compram por demanda.
“Assim, mantemos nosso blend e nossa tradição do espresso”, frisou.
Tarifas dos EUA
Depois da Europa, os Estados Unidos são o principal cliente da illy no mundo. Segundo p executivo, as tarifas que atrapalharam a comercialização, agora já são preocupação do passado.
“Representantes do café foram bastante efetivos em convencer o governo americano”, enfatizou. Segundo ele, se sobretaxas continuassem seriam um “suicídio” do governo Trump contra seus próprios eleitores.

