A decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a quinta fase da operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7), aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu um envelope com uma sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master.
O caso envolve a chamada “emenda Master” (Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023), que buscava ampliar o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
De acordo com a investigação, o texto da emenda não foi elaborado pelo gabinete do senador, mas pela assessoria do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo os autos, o conteúdo foi posteriormente reproduzido de forma integral por ele no Senado.
A emenda vinha sendo chamada de “pró-Master”, uma vez que o Master teria utilizado o FGC como parte de seu modelo de negócio. A instituição supostamente oferecia investimentos com rendimentos acima da média e destacava a garantia do fundo para atrair investidores.
Como mostrou a CNN, Vorcaro celebrou a emenda no momento da apresentação. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro [sic]! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro a um interlocutor.
As investigações da PF (Polícia Federal) apontam que o senador teria utilizado seu mandato parlamentar para atender a interesses do ex-banqueiro em troca de vantagens indevidas.
Ao todo, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além da prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A CNN tenta contato com os alvos da operação, o espaço segue aberto.
De acordo com a PF, foi realizado o bloqueio de bens, direitos e valores no valor de R$ 18,85 milhões.
A quinta fase da operação Compliance Zero tem como objetivo aprofundar investigações sobre o esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
