O CEO da Re.green, Thiago Picolo, afirmou à CNN que áreas públicas desmatadas e hoje improdutivas representam uma oportunidade para gerar renda e impactos ambientais positivos no Brasil.
A empresa venceu, em março, o leilão para gerir 59 mil hectares da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, por um período de 40 anos. O certame foi o primeiro projeto federal voltado à restauração da biodiversidade e à geração de créditos de carbono.
De acordo com Picolo, a lógica econômica do projeto está na possibilidade de gerar mais valor com a recuperação ambiental do que com a manutenção de atividades de baixa produtividade.
“O Brasil tem milhares de áreas públicas desmatadas que hoje são improdutivas. A gente entende que restaurar uma floresta em uma área degradada pode ter um valor econômico muito superior ao de continuar com a atividade de baixa produtividade que acontece lá no momento”, disse Picolo.
Fundada há quatro anos, a Re.green já tinha cerca de 40 mil hectares de áreas próprias antes da concessão. Segundo o executivo, a companhia busca ampliar sua atuação para além de propriedades privadas e começar a trabalhar também com áreas públicas degradadas.
“Não se trata de privatizar a floresta. A gente é um ator que tem um contrato de 40 anos para restaurar essa área e depois devolver em melhores condições”, disse.
Picolo citou dois pontos da modelagem da concessão que, segundo ele, ajudaram a viabilizar o projeto. O primeiro é a possibilidade de receita com créditos de carbono, em um mercado voluntário que vem crescendo e valorizando projetos de restauração florestal.
O segundo é a divisão de responsabilidades sobre a área. De acordo com o executivo, os riscos comerciais e técnicos do projeto ficam com a empresa, enquanto a proteção da integridade da floresta permanece sob responsabilidade do poder público.
“A gente tem o risco comercial da nossa atividade, o risco técnico de gerar a floresta. Mas a parte de proteção fica com o governo”, afirmou.
O executivo disse ainda que vê, em agentes do governo, disposição para construir modelos replicáveis e atrair capital privado para apoiar metas ambientais, como o desmatamento zero até 2030 e a restauração de áreas degradadas.
*Sob supervisão de Fabricio Julião

