O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre, resultado que representa uma alta de 10,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os números ficaram em linha com as previsões de analistas e reforçam a trajetória de crescimento consistente da instituição.
Renato Lulia, responsável pela área de relações com investidores do banco, atribuiu o desempenho a uma estratégia de longo prazo baseada em disciplina e seleção criteriosa de clientes e portfólios.
“A consistência é a palavra-chave. Consistência em alocação de capital, consistência em desenvolver produtos adequados para os nossos clientes”, afirmou Lulia.
Segundo o diretor de RI, “um resultado você não constrói em um trimestre, você constrói ao longo de muitos trimestres”.
Inadimplência estável e foco em clientes resilientes
O banco apresentou uma taxa de inadimplência estável em 1,9%, resultado que Lulia associou à estratégia de concentrar operações em clientes considerados resilientes ao longo dos ciclos econômicos.
“A gente sempre trabalhou com o conceito de clientes resilientes ou clientes-alvo. São clientes que, na nossa visão, o banco consegue desenvolver um relacionamento de longo prazo que seja sustentável para ambos os lados”, explicou.
Essa estabilidade nos índices de atraso, segundo ele, deve se manter nos próximos trimestres.
No segmento de pessoa jurídica, Lulia reconheceu os desafios impostos pelo ambiente de juros elevados, que tem levado empresas a evitar ao máximo a contratação de novas dívidas.
O setor do agronegócio foi citado como um dos que enfrenta dificuldades mais recentes, pressionado por custos mais altos e pelo dólar desfavorável para exportadores.
Ainda assim, o executivo afirmou que o banco mantém foco em empresas com estrutura de capital mais robusta e maior resiliência setorial.
Mercado de capitais e crédito bancário
Diante de um cenário de ajuste no mercado de crédito privado, com spreads mais elevados e menor apetite de investidores por títulos corporativos, Lulia sinalizou que o Itaú Unibanco está preparado para absorver eventual aumento na demanda por empréstimos bancários.
“A gente tem hoje aproximadamente R$ 1,5 trilhão em carteira de empréstimos. Sempre que há projetos adequados, demandas adequadas de empresas com riscos corretos, a gente está disposto a colocar o balanço do banco à disposição das empresas”, declarou.
Sobre o programa Desenrola, Lulia afirmou que o impacto sobre o Itaú tende a ser menor do que em outros bancos, dado o perfil de clientes da instituição. Ele ressaltou que o foco imediato está em garantir o funcionamento operacional do programa.
Quanto à concorrência com plataformas de investimento e novos bancos digitais, o executivo disse que o banco tem conseguido manter e até ampliar sua participação de mercado nos segmentos de média e alta renda, sem registrar perda de principalidade junto aos clientes.
Inteligência artificial e eficiência operacional
Ao comentar sobre o uso de inteligência artificial, Lulia foi enfático ao afirmar que a tecnologia já é uma realidade dentro do banco e que seus efeitos sobre a eficiência operacional devem ser sentidos no curto e médio prazo.
“A gente consegue e conseguirá ainda mais no futuro rodar o banco de maneira muito mais eficiente, empoderando nossos times para trabalharem melhor e atenderem melhor os clientes”, disse.
O executivo também destacou que o banco optou por não distribuir produtos que considerou inadequados para seus clientes, citando esse critério como um diferencial percebido positivamente pelos investidores.
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