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Presidente da Federação Iraniana exige garantias da Fifa para jogar Copa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, afirmou que a Fifa precisa garantir que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) não seja alvo de insultos por parte dos Estados Unidos para que a seleção nacional viaje ao país e dispute a Copa do Mundo em junho.

Uma delegação da FFIRI, incluindo Taj, retornou da fronteira canadense na semana passada após, segundo os iranianos, sofrer tratamento desrespeitoso de autoridades de imigração ao tentar participar do Congresso da Fifa, em Vancouver.

Taj disse que a decisão de voltar foi tomada pela própria comitiva. No entanto, posteriormente, o ministro da Imigração do Canadá confirmou ao Parlamento que o visto do dirigente havia sido cancelado enquanto ele ainda estava em voo, devido a seus vínculos com o IRGC.

O Canadá classificou o IRGC — força militar de elite responsável por proteger o regime clerical xiita no Irã — como “entidade terrorista” em 2024, cinco anos após medida semelhante adotada pelos Estados Unidos.

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, enviou carta lamentando os “transtornos e a decepção” enfrentados pelos iranianos no Canadá e convidando a federação para uma reunião em Zurique, em 20 de maio, para discutir a preparação para o Mundial.

Em entrevista à emissora estatal IRIB na terça-feira (5), Taj afirmou que buscará garantias da entidade máxima do futebol sobre o tratamento da delegação iraniana nos Estados Unidos.

“Precisamos de uma garantia de que, durante nossa viagem, não terão o direito de insultar os símbolos do nosso sistema — especialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, disse, durante um ato noturno pró-governo em Teerã.

“Isso é algo ao qual devem dar atenção séria. Se houver essa garantia e a responsabilidade estiver claramente assumida, então um incidente como o ocorrido no Canadá não voltará a acontecer. Nosso anfitrião é a Fifa”.

Estados Unidos, Canadá e México sediarão conjuntamente a Copa do Mundo entre 11 de junho e 19 de julho, com o Irã programado para disputar duas partidas da fase de grupos em Los Angeles e uma em Seattle.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na semana passada que Washington não se opõe à participação dos jogadores iranianos, mas que indivíduos com vínculos com o IRGC não serão admitidos no país.

Taj, que atuou como oficial de alto escalão do IRGC na província de Isfahan antes de ingressar na administração do futebol, disse que a ausência de garantias sólidas pode levar a delegação iraniana a recuar na fronteira americana.

“Estamos indo para a Copa do Mundo, para a qual nos classificamos, e nosso anfitrião é a Fifa — não o senhor Trump nem os Estados Unidos. Se eles aceitam nos receber, então também devem aceitar que não podem insultar nossas instituições militares de forma alguma”, afirmou.

“Caso contrário, isso pode gerar uma situação semelhante à do Canadá, na qual haveria a possibilidade de termos de retornar. Portanto, é necessário esse tipo de garantia para que possamos viajar com tranquilidade.”

A participação do Irã no Mundial tem sido questionada desde que Estados Unidos e Israel realizaram ataques aéreos contra o país no fim de fevereiro.

Com o campeonato nacional suspenso, jogadores que atuam no país estão concentrados em Teerã, em preparação para o torneio.

Segundo Taj, a federação tenta organizar ao menos um amistoso contra “uma equipe muito forte” na vizinha Turquia, onde o Irã já enfrentou Nigéria e Costa Rica no fim de março.

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