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Pix, terras raras, PCC: as pautas que podem ser tratadas entre Lula e Trump

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Pix, terras raras, PCC: as pautas que podem ser tratadas entre Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para os Estados Unidos nesta quarta-feira (6) para uma reunião com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington D.C.. A conversa deve abordar temas diversos na relação entre os dois países, como: o tarifaço, minerais críticos e o combate ao crime organizado. O encontro, previsto para acontecer desde o início do ano, deve ocorrer nesta quinta-feira (7) após a guerra no Oriente Médio adiar sua realização.

Conforme a apuração da CNN, Lula buscará reduzir ruídos com Trump e minimizar “factoides”. Um interlocutor do governo brasileiro afirma que o mais importante é a foto do aperto de mãos entre Lula e Trump. Se o encontro der certo, Lula sairá como estadista; se der errado, reacenderá o debate sobre soberania que lhe rendeu pontos no ano passado em meio ao imbróglio das tarifas.

Hoje, parte residual dos produtos brasileiros exportados ainda estão sob tarifas norte-americanas, como aço, alumínio, cobre e móveis. Além disso, existe a preocupação de que Trump volte a impor taxas ao Brasil por meio da chamada “seção 301”, na qual os EUA investigam supostas práticas desleais de comércio brasileiras.

Além disso, em meados de abril, uma delegação de negociadores brasileiros foi a Washington debater a investigação que mira temas como o Pix, big techs e etanol. Segundo apuração da CNN, a avaliação de diplomatas é de que a decisão final sobre a apuração caberá a Trump.

Segurança e crime organizado

A cooperação internacional para combate do crime organizado também deve estar na pauta. Uma fonte do governo brasileiro disse que esse deve ser um dos rumores a serem combatidos e definiu a discussão sobre o crime organizado como um “balão de ensaio” criado pelo grupo liderado por Eduardo e Flávio Bolsonaro (PL) para influenciar a ala ideológica do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Afinal, um tema correlato é a possibilidade ventilada pela Casa Branca de os Estados Unidos classificarem o PCC e o CV como terroristas, mas não há confirmação de que o assunto será debatido.

Lula ainda deve pedir a Donald Trump ajuda na prisão do empresário brasileiro Ricardo Magro. Dono do grupo Refit, que controla a refinaria de Manguinhos (RJ) e é acusado pela Polícia Federal de liderar fraudes bilionárias no mercado de combustíveis, Magro vive em Miami desde a década passada.

Temas “geopolíticos” também devem estar em pauta. Lula vem publicamente divergindo de operações norte-americanas no Oriente Médio e Irã.

Minerais críticos e terras raras

Os minerais críticos e as terras raras – essenciais para tecnologias do futuro, abundantes no Brasil e desejo dos Estados Unidos – também devem ser discutidos. Os recursos são importantes na fabricação de ímãs de alto desempenho, motores elétricos e eletrônicos de consumo.

O principal objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo diplomatas brasileiros, é firmar um acordo com Lula sobre minerais críticos, segundo apuração da CNN.

Enquanto isso, o governo discute junto ao Congresso um novo marco para o setor e defende regras que garantam a agregação de valor ao mineral nacionalmente. Para completar, uma mineradora americana, a USA Rare Earth, impactou o mercado e anunciou no fim de abril a compra da brasileira Serra Verde, que explora terras raras, por US$ 2,8 bilhões.

Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos propôs ao Brasil um acordo voltado à cooperação em minerais críticos que inclui, entre outros pontos, discussões sobre preços mínimos para esses insumos e investimentos em capacidade de refino e transferência tecnológica ao território nacional, segundo fontes envolvidas diretamente nas negociações e trechos do documento obtidos pela reportagem.

O acordo, segundo fontes, só seria assinado em eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump. Além disso, interlocutores avaliam que o tratado enfrentaria resistência também por razões políticas, uma vez que Trump possui baixa popularidade no Brasil, e integrantes do governo lembram que momentos de embate entre os dois líderes coincidiram com picos de popularidade do presidente Lula.

Em um ano eleitoral, avaliam essas fontes, a aproximação com o governo americano nesse contexto poderia ser vista como politicamente sensível.

Delegado da PF expulso dos EUA

Segundo apuração da CNN, o entorno de Lula avalia que o caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo plano de golpe, deve ficar de fora da reunião.

O antigo parlamentar chegou a ser preso pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), mas foi solto em seguida. Depois, o governo norte-americano suspeitou de ações do delegado Marcelo Ivo, da PF (Polícia Federal), e o retirou do país — ele atuava em Miami e trabalhou na detenção de Ramagem.

O governo brasileiro aplicou o princípio da reciprocidade e tirou as credenciais de um funcionário dos EUA no Brasil.

Apesar da tensão gerada pelo caso, a avaliação de membros do Executivo que acompanham os preparativos da viagem a Washington é de que o episódio não tem dimensão para ocupar uma agenda de trabalho entre os dois chefes de Estado.

O encontro

O encontro entre os dois presidentes estava previsto para ocorrer desde o início do ano, mas a guerra no Oriente Médio adiou a ida de Lula.

De lá para cá, foi observado um acirramento na relação entre os países, especialmente devido à prisão e liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem.

A comitiva presidencial de Lula terá cinco ministros, entre eles o chefe da equipe econômica, Dario Durigan, e o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues. Veja a lista completa:

  • Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
  • Wellington César, ministro da Justiça e Segurança Pública;
  • Dario Durigan, ministro da Fazenda;
  • Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
  • Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
  • Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
  • Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos;
  • Audo Faleiro, assessor especial da Presidência.

*Com informações de Danilo Moliterno, Taísa Medeiros e Daniel Rittner, da CNN Brasil

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