O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a prisão do brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha “Global Sumud”, e classificou a ação do governo de Israel como “injustificável”. A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais nesta terça-feira (5).
Segundo Lula, o caso causa “grande preocupação” e deve ser condenado internacionalmente. O presidente também afirmou que a detenção dos ativistas em águas internacionais representa uma “séria afronta ao direito internacional”.
Na mensagem, Lula informou que o Brasil está atuando com a Espanha, que também teve um cidadão detido, para exigir segurança e soltura dos envolvidos.
Prisão dos ativistas
Um tribunal de Israel prorrogou por mais seis dias a prisão de dois ativistas detidos a bordo de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, interceptada por forças israelenses em águas internacionais perto da Grécia.
Saif Abu Keshek, cidadão espanhol, e o brasileiro Thiago Ávila foram detidos pelas autoridades israelenses na quarta-feira (29) e levados para Israel, enquanto mais de 100 outros ativistas pró-Palestina que estavam nos barcos foram levados para a ilha grega de Creta.
A prisão de Abu Keshek e Ávila havia sido inicialmente prorrogada até esta terça-feira (5), mas o Tribunal de Magistrados de Ashkelon a estendeu novamente até 10 de maio.
Os ativistas faziam parte da segunda Flotilha Global Sumud, lançada numa tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza, entregando ajuda humanitária. Os navios partiram de Barcelona em 12 de abril.
Documentos judiciais mostram que Israel acusa Abu Keshek e Ávila de crimes como auxílio ao inimigo, contato com um agente estrangeiro e uma organização terrorista, atividade proibida envolvendo um componente terrorista e fornecimento de meios a uma organização terrorista.
“Estou convencido de que há suspeita razoável”, concluiu o juiz Yaniv Ben-Haroush após ouvir os argumentos das partes ao conceder a prorrogação.
Os advogados do grupo de direitos humanos Adalah argumentaram durante a audiência que as alegações eram infundadas e que não havia fundamentos legais para a manutenção da detenção dos dois homens.
Eles afirmaram que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se dava para fins de interrogatório contínuo.
A defesa disse que apelaria da decisão e exigiria a libertação imediata e incondicional de Abu Keshek e Ávila. A organização também afirmou que os homens foram torturados sob custódia – acusação rejeitada por Israel.
A esposa de Abu Keshek, Sally Issa, disse à agência de notícias Reuters nesta terça-feira (5) que não tinha permissão para falar diretamente com o marido desde sua detenção, dependendo, em vez disso, de informações do cônsul espanhol e de seus advogados.
“Disseram-nos que ele está bem. Ele está em greve de fome”, afirmou Issa. “Mas ele está bem. Ele sofreu tortura no barco quando foi atacado pelos israelenses.”
