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Frigoríficos brasileiros são alvo de investigação antitruste nos EUA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Frigoríficos brasileiros são alvo de investigação antitruste nos EUA

A suspeita de práticas anticompetitivas no mercado de carne bovina dos Estados Unidos e a forte presença de empresas brasileiras entre os maiores processadores do país foram destacadas como pontos de preocupação por autoridades americanas durante coletiva realizada na segunda-feira (4), em meio a investigações que apuram a concentração do setor e seus impactos sobre preços e cadeia produtiva. 

O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que o Departamento de Justiça priorizou a apuração de eventuais violações das leis antitruste após determinação presidencial em novembro do ano passado. Segundo ele, os quatro maiores processadores de carne bovina — JBS, MBRF, Cargill e Tyson Foods — concentram cerca de 85% do mercado de processamento nos Estados Unidos.

De acordo com Blanche, o fechamento de plantas industriais e o elevado nível de concentração são indicativos de possíveis condutas anticompetitivas. 

A investigação inclui a análise de mais de 3 milhões de documentos, além de entrevistas com pecuaristas, produtores e processadores. 

“Usaremos todas as ferramentas disponíveis de aplicação da lei para reduzir os preços dos alimentos e aplicar rigorosamente as leis antitruste, garantindo que todos os aspectos da indústria agrícola concorram em condições justas”, disse Blanche.

Como parte das medidas, foi anunciada a oferta de recompensas financeiras a denunciantes, que podem chegar a até 20% dos valores recuperados em eventuais ações judiciais.

Blanche antecipou ainda que um acordo considerado “histórico” deve ser divulgado nos próximos dias, com impacto direto nos preços de proteínas como frango, carne suína e peru. Segundo ele, o modelo de negócios de algumas empresas tem permitido a troca de informações sensíveis entre concorrentes, o que pode influenciar os preços no setor.

Rebanho em queda

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, destacou que o rebanho bovino norte-americano atingiu níveis “historicamente baixos”. Em 1º de janeiro, havia 86,2 milhões de cabeças de gado e bezerros, o menor número desde a década de 1950, com expectativa de nova queda ao longo do ano. 

Segundo ela, o país perdeu mais de 17% dos pecuaristas e mais de 100 mil fazendas na última década.

Rollins afirmou que a redução no número de produtores limita as opções de venda de gado, enfraquece o poder de negociação dos pecuaristas e aumenta o risco de dependência de poucos compradores. Ela também declarou que os quatro maiores processadores exercem influência significativa sobre os preços pagos pelo gado.

A secretária chamou atenção para o papel de empresas com controle estrangeiro no setor, destacando que duas das maiores companhias de carnes, JBS e MBRF, têm origem brasileira. 

Segundo ela, a presença dessas empresas levanta preocupações relacionadas à produção nacional, à estrutura do mercado e a preços, e  “representam uma ameaça não apenas à nossa produção de gado, mas também à própria América”, disse

“Uma empresa brasileira detém cerca de 25% do mercado e tem um histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas. A dura realidade é que essa propriedade estrangeira de frigoríficos tem sido associada não apenas à corrupção, mas também a cartéis e, tão recentemente quanto na semana passada, a trabalho escravo — o que já é grave por si só, mas também prejudica os pecuaristas e consumidores americanos”, disse, na coletiva.

As autoridades afirmaram que as investigações seguem em andamento e que novas medidas podem ser anunciadas conforme o avanço das apurações.

As empresas JBS e MBRF foram procuradas e, até o fechamento da reportagem, não se manifestaram.

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