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Eymael e o hexa: entenda a superstição que envolve político e a Seleção

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Após participar de cinco eleições presidenciais consecutivas, José Maria Eymael, 86, não concorrerá ao Palácio do Planalto neste ano. Em seu lugar, o DC (Democracia Cristã) contará com o ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo.

A pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo, um fato curioso chama a atenção: a Seleção Brasileira venceu os últimos dois torneios em que Eymael não disputou a Presidência da República.

Em 1994, na conquista do tetracampeonato, Eymael atuava como deputado federal (eleito em 1990) e havia deixado o recém-fundado PPR (Partido Progressista Reformador). Na ocasião, ele não concorreu a nenhum cargo.

Em 2002, ano do pentacampeonato, Eymael presidia o DC — cujo registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foi validado em 1997 — e se candidatou a deputado federal por São Paulo. No entanto, não obteve sucesso na empreitada.

Com a convergência dos eventos em mais um ano, a teoria que mistura eleições e futebol terá sua prova de fogo. A decisão de Eymael de não disputar a Presidência cria um lastro de esperança de que as portas fiquem abertas para que os comandados de Carlo Ancelotti tragam o hexacampeonato.

Quem é Eymael

Nascido em Porto Alegre no dia 2 de novembro de 1939, José Maria Eymael é formado em filosofia e direito pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e entrou na política em 1962, quando se filiou ao PDC (Partido Democrata Cristão) — extinto durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Com a redemocratização, Eymael voltou ao PDC em sua reformulação e foi eleito duas vezes deputado federal, em 1987 e 1991, participando também da Constituinte que redigiu a Carta de 1988.

Após a criação do PPR, vindo da fusão do PDC e do PDS (Partido Democrático Social), em 1993, o político saiu da nova sigla em busca de mais espaço e, dois anos depois, fundou o PSDC (Partido Social da Democracia Cristã, mais tarde Democracia Cristã), tornando-se presidente do novo partido.

Na corrida ao Planalto, Eymael concorreu ao cargo de presidente seis vezes, com percentuais abaixo de 1%, nos pleitos de 1998 (0,25%), 2006 (0,07%), 2010 (0,06%), 2014 (0,06%), 2018 (0,06%) e 2022 (0,02%).

Apesar de não ter garantido números expressivos nas eleições em que concorreu ao Planalto, o político gaúcho ficou marcado na história do país por seu jingle “Um democrata cristão”, repetido em suas propagandas eleitorais ao longo das últimas décadas.

Políticos marcantes, mas com resultados baixos

Eymael, com seu jingle de campanha, é um exemplo de que um político com uma característica específica pode ganhar popularidade entre o eleitorado mesmo sem conquistar os votos para se eleger.

Na história pós-redemocratização, alguns nomes ganharam o mesmo espaço, seja por suas frases de efeito, como o “Eu sou Enéas” de Eneas Carneiro (do extinto Prona), que utilizou a frase para marcar seu nome no curto período que possuía na propaganda vinculada na TV nos anos que concorreu (1989, 1994 e 1998).

Da mesma forma, o político mineiro Levy Fidelix (PRTB) ficou conhecido pelo eleitorado brasileiro como “O Homem do Aerotrem”. Ele concorreu ao Planalto em 2010 e em 2014. Com a promessa de construir o trem similar a um monotrilho, defendeu a ideia em suas campanhas.

Outro nome mais recente é o do pré-candidato Cabo Daciolo (Mobiliza), que ficou marcado por sua frase “Glória a Deus” durante as eleições de 2018. O pastor evangélico utilizava a expressão, principalmente, durante seus discursos nos debates eleitorais.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder

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