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Ex-diretor da OMC adota cautela ao projetar reunião entre Trump e Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A reunião prevista entre Lula e Trump nesta semana carrega tanto potencial de entendimentos quanto de desacordos e polêmicas. A avaliação é do ex-diretor da OMC (Organização Mundial do Comércio) Roberto Azevêdo, em entrevista ao WW desta segunda-feira (4). Azevêdo analisou com cautela os bastidores e a agenda do encontro.

Azevêdo chamou atenção para uma assimetria já visível na preparação do evento. Segundo ele, o encontro foi acordado na semana anterior à viagem e que nenhum anúncio oficial foi feito pelo lado norte-americano, mas sim por parte do governo brasileiro.

“Isso em si já mostra uma certa assimetria no tratamento que os dois governos estão dando. Os EUA, até agora, não parecem querer dar uma grande dimensão política, uma grande enorme visibilidade a isso. E isso não é por acaso, a ‘química’ vai ter que superar muita coisa. Além disso, até onde eu sei, a agenda desse encontro ainda está sendo negociada”, afirma Azevêdo.

Os três pilares da agenda

O primeiro tema central identificado por Azevêdo é o combate ao crime organizado transnacional. Há interesse das duas partes no enfrentamento de organizações criminosas que cruzam fronteiras, como o PCC e o Comando Vermelho. No entanto, há divergências sobre o formato:

“O Brasil quer dar um tratamento político, falou até em um memorando de entendimento. Os Estados Unidos não têm interesse nesse tratamento político. Eles querem uma coisa mais técnica e, se possível, uma via de mão única, em que o Brasil dá informações, mas eles não têm que compartilhar nada”, explicou Azevêdo.

O segundo pilar é a área comercial. Azevêdo destacou que o Brasil pode argumentar que, enquanto os Estados Unidos duplicaram o saldo comercial com o Brasil, a China já representa mais de 30% das compras de produtos brasileiros, enquanto os americanos respondem por menos de 10%.

“Vocês estão nos colocando no colo da China. É isso que vocês estão querendo?”, exemplificou, reproduzindo o argumento que o lado brasileiro pode apresentar. O ex-direitor também ressaltou que nenhuma exceção tarifária concedida até o momento foi resultado de negociação.”Foi unilateral. Eles decidiram que fariam isso para não machucar as empresas americanas”, lembra Azevêdo.

O terceiro tema é a exploração de terras raras. Azevêdo apontou que, embora haja possibilidade de entendimentos, o Brasil enfrenta dificuldades em se associar à iniciativa americana junto ao G7 e outros parceiros, pois isso passaria a imagem de um alinhamento “anti-China”.

“O Brasil não pode se dar o luxo de comprar essa briga com a China”, afirmou, lembrando que o país tem, ao mesmo tempo, grande interesse em desenvolver a mineração e o processamento de minerais críticos em seu território.

Para Azevêdo, independentemente do resultado, o encontro representa um cenário favorável para Lula do ponto de vista político. “Se houver acordo, ótimo. Foi uma atuação de estadista, conseguir negociar com o presidente Trump e conseguir bons resultados. Se não der certo, der briga, também é bom”, avaliou.

O ex-diretor acrescenta que, no campo eleitoral, Lula poderia novamente “empunhar a bandeira do nacionalismo e da soberania”, que já lhe rendeu pontos positivos no ano passado. Azevêdo concluiu que, neste momento, é difícil prever com exatidão qual será o desfecho do encontro.

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