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Como queda de Leicester e Sheffield serve de alerta no futebol brasileiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O fim da temporada inglesa está chegando e o surpreendente rebaixamento do Leicester City para a EFL League One, a terceira divisão do futebol inglês, foi confirmado após empate em 2 a 2 com o Hull City, no último dia 21 de abril.

No entanto, apesar da má campanha, o clube, campeão da Premier League há 10 anos, sofreu com deduções de seis pontos após descumprimento das regras de lucro e sustentabilidade do Fair Play Financeiro.

O mesmo aconteceu com o Sheffield Wednesday, que entrou para história como o time mais precoce a ser rebaixado na história do futebol inglês, com 13 rodadas antes do fim da competição.

Sanções pelo descumprimento das regras do Fair Play Financeiro não são algo incomum no futebol europeu. Na temporada 23-24, o Everton perdeu 10 pontos na Premier League por violar as regras de rentabilidade e sustentabilidade da liga.

A Juventus também enfrentou sanções da Uefa e da Serie A, na temporada 22-23. A Velha Senhora teve 10 pontos retirados na liga italiana e, no ano seguinte, foi removida da Conference League e recebeu uma multa de 20 milhões de euros.

No futebol brasileiro, casos como esse são raros e o caso recente mais emblemático envolveu o Cruzeiro. Em 2020, o clube mineiro foi punido pela Fifa, após o não pagamento de uma dívida com o Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, referente a compra do volante Denílson, e iniciou a Série B com menos seis pontos.

Apesar disso, a tendência é que as punições fiquem mais presentes no Brasil, principalmente com o novo Fair Play Financeiro.

“O cenário de Leicester e Sheffield Wednesday na Inglaterra serve como um alerta para o futuro do futebol brasileiro. Muitos clubes ainda se apoiam na ideia de que resultados esportivos são necessários para garantir o equilíbrio econômico”, afirma Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol.

Período de transição do Fair Play no Brasil

Implementado em janeiro de 2026, o Fair Play Financeiro da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) está em um período de transição que se estende até 2030. No ano passado, apenas três clubes da Série A seriam aprovados nos critérios do modelo regulatório da CBF: Flamengo, Palmeiras e Juventude.

“Estamos há três anos consecutivos com superávit, resultado de uma gestão baseada em responsabilidade e no nosso próprio modelo de ‘Fair Play Financeiro’.  Com a consolidação oficial do modelo de Fair Play, a tendência é que os clubes avancem para um cenário rigoroso e de segurança, algo que o Juventude já vem colocando em prática”, afirma Fábio Pizzamiglio, presidente da equipe gaúcha.

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No Brasil, o modelo aplicado terá foco em quatro quesitos: controle de dívidas em atrasos dos clubes, equilíbrio financeiro na operação, controle de custos com o elenco e controle das dívidas de curto prazo.

Caso ocorra o descumprimento, os clubes podem sofrer sanções que incluem: advertência pública, multa, retenção de receitas, transfer ban, dedução de pontos, rebaixamento e não concessão ou cassação da licença.

“A introdução do Fair Play Financeiro e da sua agência fiscalizadora são fundamentais para a continuidade do futebol brasileiro. Hoje, a maioria dos clubes enfrenta graves dificuldades financeiras, tanto na Série A quanto na Série B, salvo raras exceções. A inflação salarial se apresenta como a principal causa para a instabilidade econômica dos clubes”, destaca Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.

“A criação e, principalmente, a aplicação efetiva do modelo regulatório da CBF são medidas que trarão benefícios substanciais a médio prazo, podendo, inclusive, evitar uma crise financeira generalizada no futebol brasileiro.”

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