Um levantamento do Instituto Real Time Big Data, divulgado nesta terça-feira (4), aponta que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é desaprovado por 52% dos eleitores e aprovado por 42%. Diante desse cenário, o analista de política Teo Cury avaliou, durante o CNN Novo Dia desta terça-feira (5), que a máquina pública representa ao mesmo tempo uma vantagem e um desafio para Lula.
“Você ter a máquina pública na sua mão é uma vantagem muito grande. Se você não souber usar e não conseguir converter o que está fazendo em resultados, a desaprovação sobe e a chance de reeleição diminui”, explicou.
Paralelo com eleições anteriores
Durante o programa, o analista traçou um paralelo com a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também contou com a máquina pública à sua disposição em 2022, mas viu sua desaprovação crescer. Segundo Cury, “a desaprovação de Bolsonaro e a condução dele na pandemia foram cruciais para a derrota eleitoral dele”.
Nichos eleitorais e estratégias de campanha
A pesquisa também revela recortes importantes do eleitorado. Lula apresenta vantagem entre mulheres, eleitores mais pobres e no Nordeste, enquanto o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera entre os evangélicos, na região Sul e entre aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos.
Teo Cury ressaltou que ambos os lados já demonstram movimentos estratégicos para consolidar seus respectivos nichos. “Não à toa a gente já viu algumas sinalizações. Endividamento das mulheres, o Desenrola pega isso. Endividamento dos jovens, o Desenrola também tem esse foco”, disse o analista, referindo-se ao programa do governo federal.
No campo de Flávio Bolsonaro, Cury destacou a busca pela consolidação do eleitorado evangélico, mencionando o apoio do pastor Silas Malafaia à campanha. “Primeiro garantir aqui para depois tentar diminuir a resistência entre as mulheres, por exemplo”, explicou o analista sobre a estratégia de Flávio.
Nordeste e o risco de erosão do apoio
O analista alertou ainda para um temor entre aliados de Lula: a redução do apoio no Nordeste, região historicamente forte para o petista. “Ao longo dos últimos anos, reduziu bastante o apoio do presidente Lula no Nordeste. Há um temor por parte de aliados do presidente Lula de uma redução significativa do apoio do Nordeste, que sempre foi um nicho do presidente”, disse o analista. Para Cury, Lula não pode se dar ao luxo de perder esse eleitorado enquanto ainda enfrenta dificuldades com eleitores de centro.
