O mercado brasileiro de equipamentos para o setor elétrico tem capacidade para atender à demanda interna, mas enfrenta um gargalo crescente na cadeia de suprimentos diante da pressão internacional e do descompasso entre oferta e demanda global.
Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN, o presidente da Hitachi Energy para a América Latina Sul, Glauco Freitas, afirmou que os fabricantes instalados no país estão preparados para cumprir os cronogramas dos projetos, embora o cenário global imponha desafios cada vez maiores.
Segundo o executivo, o principal fator de tensão vem da disputa com mercados mais aquecidos. “A demanda global é maior do que a oferta, puxada, principalmente, por EUA e Europa”, disse. Esse desequilíbrio acaba pressionando fornecedores e alongando prazos, em um contexto no qual diferentes regiões competem pelos mesmos equipamentos e insumos.
Ainda assim, ele avalia que o planejamento atual dos empreendimentos no Brasil, que prevê entregas entre 42 e 60 meses, está dentro da capacidade de execução das empresas. O problema, ressalta, não está na indústria local em si, mas na limitação estrutural da cadeia global. “Se a demanda se mantiver neste nível, a cadeia tende a se estrangular ainda mais”, afirmou.
Para ampliar a produção e responder a esse cenário, as principais fabricantes têm apostado em investimentos em expansão da capacidade. No caso da Hitachi, a companhia mantém fábricas em Guarulhos (SP) e Blumenau (SC) e está investindo em uma nova unidade em Pindamonhangaba (SP).
O plano de investimentos de US$ 270 milhões, já anunciado anteriormente, contempla a expansão da planta de transformadores em Guarulhos e a construção da nova fábrica, o que deve mais que dobrar a capacidade produtiva até o início de 2028.
A estratégia da empresa prevê equilibrar o atendimento ao mercado interno com a atuação internacional. “Nossa expectativa é que metade da produção seja destinada ao mercado brasileiro e latino-americano e, por que não, continuar exportando”, afirmou o executivo, indicando que o Brasil seguirá inserido na dinâmica global de fornecimento.
Apesar dos investimentos e da ampliação de capacidade, a perspectiva de alívio no curto prazo é limitada. O presidente da companhia não vê uma estabilização do mercado nos próximos cinco a sete anos, sinalizando que a pressão sobre a cadeia de suprimentos deve persistir no médio prazo.
Com cerca de 120 fábricas espalhadas pelo mundo e acordos globais de fornecimento, a empresa acompanha de perto essa dinâmica, que tende a manter o setor elétrico sob forte competição por recursos e equipamentos.
