Nas vésperas da viagem da delegação brasileira aos Estados Unidos, a analista política da CNN Larissa Rodrigues avalia que o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump é considerado, dentro do Palácio do Planalto, uma vitória política em si mesmo — independentemente dos acordos que possam ser anunciados. O momento é tido como crucial diante de um cenário recente de derrotas no Congresso Nacional.
Contexto de derrotas internas
Ao CNN Bastidores, Larissa destacou que Lula acumula duas derrotas recentes no Congresso Nacional — a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria —, além de um episódio envolvendo a prisão e posterior soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Segundo a analista, o desfecho do caso acabou sendo interpretado como mais uma derrota para o governo. “A imagem que ficou é que Trump e o governo norte-americano estão trabalhando lado a lado com a direita brasileira, em especial pelo nome de Flávio Bolsonaro”, afirmou Larissa.
Encontro como resposta política
Diante desse cenário, a viagem aos Estados Unidos ganha ainda mais peso político do que se imaginava quando foi inicialmente planejada, em março. “Lula espera que esse encontro acabe enfraquecendo o discurso de Flávio Bolsonaro sobre sua proximidade com Trump”, avaliou a analista.
Possíveis acordos em negociação
Além do simbolismo político do encontro, há a expectativa de anúncios concretos. Segundo Larissa, o Itamaraty tem trabalhado nas negociações com o governo norte-americano. “Possíveis acordos nas áreas de etanol e terras raras estão sendo discutidos”, revelou a analista.
Larissa ressaltou que Lula estaria “mais disposto a ceder em alguns acordos, pensando numa vitória futura” — uma referência à expectativa de reeleição em outubro. O que exatamente vai sair do encontro, no entanto, ainda está sendo “costurado entre a diplomacia brasileira e a diplomacia norte-americana”.

