O estado de São Paulo registrou o maior número da série histórica de casos de feminicídio em apenas um trimestre, nestes primeiros meses de 2026. Isso representa um aumento de cerca de 41% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
De janeiro a março deste ano foram registrados 86 casos de feminicídio no território paulista, conforme os dados da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo). Foi possível observar um crescimento gradativo dos casos, já que janeiro teve 27 casos, fevereiro registrou 29 e o mês de março marcou 30.
Já no mesmo período do ano anterior, a ordem mostrou-se invertida. Enquanto janeiro registrou 22 casos, fevereiro e março apresentaram 20 e 19 casos, respectivamente.
Os dados divulgados os dados também revelaram que, em comparação mensal, de março de 2025 a 2026, os números cresceram quase 58%. Veja abaixo os números totais nos primeiros trimestres, desde o início da série histórica:
- 2018: 21 casos
- 2019: 39 casos
- 2020: 49 casos
- 2021: 43 casos
- 2022: 50 casos
- 2023: 61 caiu
- 2024: 75 casos
- 2025: 61 casos
- 2026: 86 casos
O menor número de feminicídios já registrado em um mês do 1° trimestre no estado foi em janeiro de 2018, com cinco casos, ano em que os dados deste crime passaram a ser separados pela SSP.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo. Leia na íntegra:
“O enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de estupro, é prioridade do Governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção. O Estado ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher. A pasta também possui o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva. O pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores. A Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada nesta quinta-feira (30). Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres.”
O feminicídio foi tipificado como crime hediondo em 2015, previsto na Lei n°13.104 que altera parte do Decreto-Lei n°2.848/1940 que classifica homicídio como crime. Considera-se feminicídio quando há violência “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”. Ou seja, a motivação da prática é exercida justamente pela vítima ser mulher. Violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição da mulher também são práticas consideradas como crime.
A pena de reclusão para condenados por feminicídio pode variar de 20 a 40 anos, podendo ser agravada a depender do caso. Na última quarta-feira (29), a Coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a estar no cargo de Comandante Geral da Polícia Militar de São Paulo, foi empossada. Segundo ela, o enfrentamento à violência doméstica e familiar será prioridade operacional.
A troca no comando da Polícia Militar ocorre semanas após casos notórios de violência policial em São Paulo, principalmente o caso da soldado Gisele Santana.
Caso Gisele
Em fevereiro, a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta no apartamento que morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O marido informou às forças policiais que a mulher havia tirado a própria vida na frente dele. No entanto, após um mês de investigações, a polícia concluiu que o homem era o principal suspeito de ter matado a própria esposa.
Segundo pessoas próximas à Gisele, ela vivia em um relacionamento abusivo com Geraldo. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que o oficial demonstrava comportamento possessivo e exigia submissão da esposa. Leia:
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1 de 5Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos • Reprodução/Redes Sociais
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2 de 5Coversas mostram mensagens como "macho alfa" e "fêmea beta" • Reprodução
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3 de 5Prints revelam "regras de comportamento" que Geraldo exigia de Gisele • Reprodução
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4 de 5Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a "tratava de qualquer jeito" • Reprodução
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5 de 5Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro • Reprodução
Ele foi preso um mês após o crime. O caso será julgado em júri popular, após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) concluir incoerência com a decisão de que o caso deveria ser levado à Justiça Militar.

