A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) representa, antes de tudo, uma derrota do governo e um recado ao próprio STF. Essa é a avaliação de Felipe Recondo, jornalista e pesquisador especializado no Supremo, em entrevista ao WW.
Segundo Recondo, embora Messias seja a vítima simbólica do processo político que culminou em sua rejeição, o episódio deve ser lido em uma chave mais ampla. “É menos uma derrota do Messias. É claro que para ele simboliza, é claro que ele é a vítima desse processo político que culmina na sua rejeição. Mas essa é uma derrota do governo e um recado também para o Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
O especialista destacou que o desempenho de Messias na sabatina não foi o fator determinante para o resultado. De acordo com Recondo, o candidato “falou a língua que os políticos gostam de ouvir” e prometeu o que o Senado queria escutar. Sua idade — 45 anos — tampouco seria um empecilho, já que outros ministros do Supremo, como Dias Toffoli e Celso de Mello, foram indicados em idades semelhantes. A proximidade com o presidente da República também não seria inédita, tendo em vista as indicações anteriores de Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Movimento político por trás da rejeição
Para Recondo, o que está em jogo é um movimento político mais profundo, que envolve a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado em um próximo mandato. Ao bloquear a indicação do governo, Alcolumbre teria entregado uma vitória à oposição — que há tempos pressionava por um impeachment de ministros do STF — sem necessariamente abrir um processo formal. “O que Davi Alcolumbre faz é um impeachment de outra forma, é um bloqueio a um candidato indicado pelo governo”, avaliou o especialista.
Recondo também apontou que Alcolumbre é próximo de ministros do Supremo, em especial de Alexandre de Moraes, e que a manobra pode garantir ao tribunal uma proteção institucional independentemente do resultado das próximas eleições. “É mais algo da política do que necessariamente uma resposta à escolha de Jorge Messias”, concluiu. O especialista ressaltou ainda que, caso a indicação fosse de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), dificilmente o resultado teria sido o mesmo.

