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Há risco de paralisação de obras públicas por alta dos insumos, diz CBIC

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Há risco de paralisação de obras públicas por alta dos insumos, diz CBIC

O presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Carlos Eduardo Lima Jorge, afirmou à CNN que há risco de paralisação de obras públicas por causa do aumento recente nos preços de insumos como asfalto e outros derivados de petróleo.

A única forma de afastar essa possibilidade é uma repactuação imediata dos contratos, que já foi solicitada formalmente pelas construtoras para a União, governos estaduais e prefeituras.

O executivo elencou uma série de aumentos que têm pesado sobre as empreiteiras:

  • Reajuste de 22,45% do asfalto nas refinarias da Petrobras de março para abril.
  • Alta de 12% em março e de 10% em abril nos preços do concreto e do cimento, que têm bastante influência do valor do frete, impactado pelo diesel.
  • Incremento de 15% a 35% nos tubos e conexões de PVC, que usam polietileno como matéria-prima.

Nas obras federais, a CBIC e outras entidades do setor já enviaram pedido de reajuste extraordinário dos contratos para quatro ministérios: Transportes, Fazenda, Planejamento e Casa Civil.

A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), o Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada) e a Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias e de Infraestrutura de Transportes) endossaram a manifestação.

O pedido é para que esses contratos — hoje com reajustes anuais — passem a ter atualização mensal enquanto houver variações mais acentuadas dos insumos por causa da guerra no Oriente Médio.

Lima Jorge avalia que “não há perspectiva no curto prazo” de estabilização dos preços internacionais do petróleo e, com isso, estabilidade no valor das matérias-primas.

Sem uma repactuação, “há realmente risco de paralisação de obras”, disse o dirigente da CBIC em entrevista ao Conexão Infra.

“Não só em rodovias, mas em edificações e obras de operações urbanas. Não é que esperávamos 4% [de reajuste] e veio 5% de aumento. Estamos falando de 20% ou de 35%. Se não houver reconhecimento da administração pública, é porque não querem fazer a obra.”

Segundo ele, o asfalto chega a representar até 70% do custo de serviços como manutenção e conservação de rodovias.

Esse problema está mais concentrado nas obras públicas. Nas concessões, explicou Lima Jorge, há gatilhos e reequilíbrios econômicos mais previsíveis.

“As concessões amadureceram suas matrizes de risco, definiindo as responsabilidades de cada um [governo e setor privado]. Os contratos acolhem, de certa forma, esse tipo de aumento.”

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