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Global nega vínculo com empresas sob investigação no leilão de capacidade

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

A Global Participações em Energia (GPE) enviou esclarecimentos à auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) negando supostos vínculos com o grupo de empresas citado na representação do Ministério Público, que apura suspeitas sobre o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, no contexto das investigações sobre as chamadas “geradoras de papel”.

No documento encaminhado à AudElétrica, unidade técnica do TCU, a qual a CNN teve acesso, a companhia afirma que não possui “nenhum vínculo, sob qualquer perspectiva” com as empresas mencionadas na representação, rejeitando a hipótese de atuação coordenada ou participação em um mesmo grupo econômico.

A GPE sustenta que a associação feita no documento do Ministério Público pode ter ocorrido por “mera coincidência da sigla GPE, comum às empresas Global Participações em Energia S.A. e GenPower Energy”.

“Nesse contexto, a GPE reputa necessário consignar, de forma clara e inequívoca, que não possui nenhum vínculo, sob qualquer perspectiva — societária, contratual, operacional, de controle, de coligação, de coordenação ou de atuação concertada — com o alegado grupo econômico mencionado na representação”, diz o documento.

A empresa frisa ainda que não há participação societária direta ou indireta comum, não há identidade ou sobreposição de administradores, não há acordos de voto, contratos associativos, instrumentos de cooperação empresarial ou qualquer outro elemento apto a caracterizar grupo econômico, comunhão de controle, atuação coordenada ou convergência estrutural de interesses.

Defesa após entrar na mira do TCU

A manifestação ocorre após o ministro Bruno Dantas determinar o aprofundamento das investigações sobre os vencedores do leilão, incluindo empresas apontadas como potenciais “geradoras de papel”, expressão usada para designar companhias que vencem certames sem capacidade comprovada de implantação dos projetos.

Na representação, o Ministério Público citou a GPE ao lado de outras empresas (EPP, ION e Celba), ao levantar dúvidas sobre possíveis vínculos societários não declarados entre concorrentes no leilão. Para afastar as suspeitas, a companhia detalha no documento sua trajetória no setor elétrico, afirmando ter mais de duas décadas de atuação em geração de energia e histórico de implantação de projetos.

Segundo a empresa, seu portfólio inclui cerca de 900 MW de capacidade instalada, distribuídos entre termelétricas e pequenas centrais hidrelétricas, além de participação em leilões desde 2006 e contratos já executados ao longo de anos.

A companhia também afirma que não participou do Procedimento Competitivo Simplificado (PCS) de 2021 e que sua atuação no LRCap não se enquadra no perfil de empresas estruturadas apenas para participação pontual em leilões.

Disputa narrativa no setor

A manifestação da GPE ocorre em meio à crescente pressão institucional sobre o leilão, que já é alvo de questionamentos no TCU e de representação no Ministério Público Federal por entidades do setor.

De um lado, órgãos de controle e parte dos agentes levantam preocupações com risco de não entrega de projetos, falhas concorrenciais e impacto tarifário. De outro, empresas citadas nas investigações buscam demonstrar capacidade técnica, histórico operacional e compromisso financeiro com os empreendimentos contratados.

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