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Como Alcolumbre e Flávio derrubaram Messias em derrota histórica para Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Como Alcolumbre e Flávio derrubaram Messias em derrota histórica para Lula

A inédita rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) decorreu de uma articulação que reuniu bolsonaristas, liderados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que atuou até os momentos finais para consolidar a derrota do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos bastidores, a derrota também é atribuída à articulação de uma ala de ministros do Supremo. Interlocutores do presidente Lula relataram à CNN Brasil ter sido determinante para a rejeição uma aliança entre o presidente do Senado e esse grupo da Corte.

O objetivo, por parte de ministros, seria um só: impedir que a ala liderada pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo ministro André Mendonça ganhasse um aliado que caminhava para ser o fiel da balança em potenciais votações do caso Master.

O cenário hoje, nas contas de fontes do governo e do STF, é de empate, por exemplo, para uma eventual abertura de investigações contra ministros do STF.

Messias seria o voto de minerva a integrar o lado de Mendonça, o que teria motivado a contrariedade de uma das alas do STF ao nome dele.

O receio de alguns ministros se tornarem minoria no STF teria encontrado em Alcolumbre o desejo de derrotar o governo, em razão de seu preferido para o cargo, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ter sido preterido na escolha de Lula.

O Senado rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação de Messias na quarta-feira (29). Ele passou pelo crivo do Congresso depois de cinco meses de impasse envolvendo a indicação feita pelo Planalto.

Para a aprovação no plenário, eram necessários ao menos 41 votos. O governo calculava ter o apoio de 45 senadores, enquanto integrantes da oposição afirmavam ter ao menos 30 votos contrários. A votação é secreta, o que implicou incerteza nas estimativas.

No último mês de 2025, Alcolumbre subiu o tom contra o governo em meio à crise gerada pela escolha de Messias. Embora tenha recebido críticas por sua posição, o senador tem rebatido as reclamações, dizendo que apenas defende as “prerrogativas” do Senado.

Alcolumbre reforçou, durante a abertura do ano legislativo, que o Congresso não abrirá mão de sua prerrogativa e autoridade. Pouco depois, afirmou em um evento ao lado de Lula que “alguns atores da sociedade brasileira” vêm insistindo em criar uma “disputa” entre as instituições democráticas.

Houve uma indicação de nova reunião entre Lula e Alcolumbre no mês seguinte para tratar da indicação de Messias, mas o senador negou.

Digitais de Flávio

Conforme apuração da CNN Brasil, a articulação de Alcolumbre contra Messias contou com o esforço de Flávio Bolsonaro e de lideranças como o senador Rogério Marinho (PL-RN), que além de líder da oposição no Senado, é coordenador da campanha presidencial.

Nos últimos dias, Flávio realizou ao menos dois encontros com grupos de senadores, além de manter conversas reservadas e reuniões fechadas com diversos parlamentares, sobretudo integrantes do Centrão.

Durante um café da manhã na terça-feira (28) com membros do bloco Vanguarda, composto por 18 senadores, o filho de Jair Bolsonaro afirmou que uma eventual aprovação de Messias tenderia a ampliar a politização do Supremo.

Ele também classificou o chefe da AGU como um nome de perfil ideológico ligado ao PT, que, segundo ele, permaneceria alinhado aos interesses do presidente Lula mesmo após eventual nomeação.

Com informações de Caio Junqueira, Gustavo Uribe, Danilo Moliterno, Emilly Behnke, Lorenzo Santiago e Davi Alencar

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