A engenharia e a construção pesada vivem um momento de crescente escassez de mão de obra qualificada, alerta o presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Carlos Eduardo Lima Jorge.
“Já começamos a enfrentar esse problema, desde 2025, em uma magnitude que ninguém esperava. Víamos crescer essa escassez de mão de obra, mas isso foi se acentuando. Até engenheiros estamos com dificuldade de encontrar”, disse Lima Jorge à CNN.
Em algumas funções, como a de laboratorista de pavimentos (que atua no controle de solos e de pavimentação de rodovias), o quadro é ainda mais dramático. “Tornou-se uma figura rara no mercado”, resumiu o dirigente da CBIC.
Lima Jorge aponta também restrições na oferta de operadores de máquinas habilitados para operar equipamentos muito mais automatizados do que no passado, quando eram “analógicos”.
No ano passado, o investimento em infraestrutura no Brasil bateu um recorde histórico de R$ 280 bilhões (o equivalente a 2,3% do PIB), segundo a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).
Cerca de R$ 4 em cada R$ 5 dos investimentos são aportes privados. Com a agenda de concessões se acelerando, também existe mais demanda por mão de obra.
O problema, diz Lima Jorge, é que o Brasil forma anualmente apenas seis engenheiros por cada 100 mil habitantes. China, Estados Unidos e Japão têm 35 novos graduados em engenharia por ano a cada 100 mil habitantes.
“De 2015 a 2023, o Brasil teve uma queda de 25% em matrículas nos cursos de engenharia. Se fizermos o recorte especificamente para engenharia civil, a queda é de 52%”, afirma.
“Por várias razões, há uma desmotivação grande. A geração mais nova quer empregos com mais conforto, com mais tecnologia, e tem uma imagem da construção civil amassando barro nos canteiros. Enquanto isso, a mão de obra disponível envelhece.”
Para o dirigente da CBIC, há algumas iniciativas necessárias. Uma é a proliferação de convênios com Sesi, Senai, Ministério do Trabalho para a qualificação de técnicos.
Outra é a incorporação de novas tecnologias e a industrialização da construção civil, melhorando a produtividade e saindo da “necessidade absoluta” de mobilizar trabalhadores nos canteiros de obras.

