Um avião comercial de passageiros decolará dos Estados Unidos para a Venezuela na manhã desta quinta-feira (30), pela primeira vez em quase sete anos, enquanto os países continuam a restabelecer os laços econômicos após a deposição do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro.
O voo inaugural da American Airlines terá duração de pouco menos de 3 horas e meia, partindo de Miami para Caracas às 10h16 (horário do leste dos EUA), antes de pousar no Aeroporto Internacional Simón Bolívar às 13h36 (horário local). O retorno a Miami está previsto para o final da tarde.
A American Airlines afirmou que será a primeira companhia aérea dos EUA a relançar um serviço diário para o país sul-americano, utilizando uma aeronave Embraer 175 de duas classes operada pela Envoy, subsidiária integral da companhia aérea.
A companhia aérea havia anunciado sua intenção de retomar os voos em janeiro, no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu o Departamento de Transportes a tomar medidas para restabelecer o serviço aéreo para a Venezuela.
A American Airlines, que já foi considerada a maior companhia aérea dos EUA a operar na Venezuela, suspendeu seus serviços em 2019, quando os EUA proibiram voos de passageiros e de carga para aquele país.
Os EUA revogaram formalmente a proibição há duas semanas, depois que o Departamento de Segurança Interna determinou que “as condições na Venezuela não representam mais uma ameaça à segurança dos passageiros, aeronaves e tripulantes”.
Isso aconteceu meses depois de os militares dos EUA terem realizado uma operação mortal em Caracas para capturar e depor o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
Desde então, os EUA têm normalizado gradualmente as relações diplomáticas e econômicas com o governo interino da Venezuela, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro.
Sob pressão dos EUA, Rodríguez promulgou uma série de reformas políticas e econômicas, incluindo uma lei de anistia que libertou centenas de presos políticos e uma lei de hidrocarbonetos que facilita a participação de empresas estrangeiras na indústria petrolífera do país.
Washington, por sua vez, têm aliviado as sanções anteriormente impostas a entidades venezuelanas, o que abriu caminho para uma maior integração com o mercado global e um aumento nas receitas em moeda estrangeira.
A economia da Venezuela ainda luta para se recuperar de anos de má gestão, mas Rodríguez insiste que a situação vai melhorar nos próximos meses, afirmando que espera mais empregos e aumento da renda.
Segundo o Instituto de Políticas de Migração, em meados de 2024, havia cerca de 764 mil migrantes venezuelanos vivendo nos Estados Unidos.
Liz Rebecca Alarcón, uma empresária venezuelana-americana da região de Miami que fundou o veículo de comunicação Project Pulso, comemorou a retomada dos voos.
“Qualquer coisa que aproxime a diáspora das pessoas na Venezuela é uma notícia positiva”, disse ela. “Espero que os voos da American Airlines tenham preços justos e que essas mudanças façam parte da transição para a democracia que todos desejamos.”
Transição democrática
Em janeiro, os Estados Unidos apresentaram à Venezuela um plano de três fases para garantir a estabilização, a recuperação e a transição democrática no país.
O governo interino da Venezuela, no entanto, deu poucos indícios de que renunciará ao poder ou convocará novas eleições. “As eleições serão realizadas quando forem, e nesse dia as forças revolucionárias estarão preparadas para vencer, como sempre vencemos”, disse o ministro do Interior, Diosdado Cabello, no início deste mês.
A oposição venezuelana afirmou estar preparada para esse momento. Na terça-feira (28), a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel, María Corina Machado, anunciou no programa “Piers Morgan Uncensored” sua intenção de se candidatar à presidência caso haja eleições.
“Certamente, eu me oferecerei… para que o povo venezuelano possa escolher livremente o que deseja”, disse ela.
Nos últimos meses, Machado tem mantido conversas diretas com líderes mundiais, incluindo Trump, para conquistar seu apoio e angariar correspondências.
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