Senadores da oposição no Senado Federal executaram uma manobra nesta quinta-feira (29) para fazer com que o senador Sergio Moro (PL-PR) retornasse à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa após ele perder a cadeira para o governista Renan Filho (MDB-AL).
Moro era integrante permanente da CCJ, mas recentemente trocou o União Brasil pelo PL (Partido Liberal). A troca possibilitou com que o PL indicasse o senador como integrante suplente.
Com a manobra, Moro conseguiu participar da sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para assumir uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Seguindo o rito da sabatina, o senador pôde fazer perguntas a Messias, porém, não poderá votar.
Na terça (28), Moro anunciou que havia sido retirado da comissão, perdendo o posto para Renan Filho, ex-ministro dos Transportes de Lula. Além desta, o governo conseguiu realizar mais uma troca na CCJ, na tentativa de obter mais apoio para o nome de Messias, que passa por uma votação de resultado ainda incerto.
Até março de 2026, Moro era filiado ao União Brasil. Porém, deixou o partido para ingressar no PL (Partido Liberal) e concorrer ao governo do Paraná pela sigla.
No Senado, o União integra o bloco Parlamentar Democracia, formado também por MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Podemos e PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).
A vaga na comissão, no caso, era do bloco, e não propriamente de Moro. Com a saída dele do partido, governistas alegaram que ele deveria também perder a cadeira na comissão.
Crítico ao governo Lula, Moro conseguiu retornar ao colegiado para fazer perguntas a Messias. Agora filiado ao PL, o ex-juiz da operação Lava Jato teve a cadeira cedida a ele pelo colega de casa e de partido, senador Eduardo Gomes (PL-TO), que é membro suplente da comissão.
Quando integrava o bloco Democracia Parlamentar, Moro era um membro titular da CCJ – ou seja, tinha poder de voto. Como a vaga cedida por Gomes é de suplente, Moro não poderá votar.
O senador só terá poder de voto quando a análise da indicação de Messias for ao plenário do Senado, depois da votação da CCJ. Ele já adiantou que votará de forma contrária ao advogado.

