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Às vésperas da Copa, Irã denuncia abuso e deixa Congresso da Fifa no Canadá

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Às vésperas da Copa, Irã denuncia abuso e deixa Congresso da Fifa no Canadá

O Congresso da Fifa, realizado no Canadá — um dos países-sede da Copa do Mundo de 2026 — foi ofuscado nesta quarta-feira por um impasse diplomático envolvendo o Irã. Dirigentes da federação iraniana afirmaram ter sido barrados no aeroporto de Toronto e decidiram retornar ao país, alegando tratamento inadequado por parte das autoridades de imigração.

Segundo a agência semi-oficial Tasnim, a delegação incluía o presidente da federação, Mehdi Taj, o secretário-geral Hedayat Mombeini e o vice Hamed Momeni. Mesmo com vistos válidos, eles optaram por voltar após o que classificaram como “comportamento inapropriado” dos agentes de imigração.

O episódio evidencia entraves práticos e políticos em torno da participação do Irã na Copa do Mundo — um dos temas mais sensíveis na agenda da Fifa desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o país, em fevereiro.

Apesar da classificação garantida em campo, o Irã ainda enfrenta obstáculos relacionados a viagens, emissão de vistos e questões de segurança para um torneio que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. A Fifa mantém o discurso de que o calendário será cumprido, mas o recuo da delegação aumenta as dúvidas sobre a livre circulação de jogadores, dirigentes e torcedores iranianos durante o Mundial.

Os dirigentes viajavam ao Canadá para participar do Congresso da Fifa, marcado para quinta-feira em Vancouver, mas retornaram no primeiro voo disponível. A agência Tasnim ainda relatou que o incidente envolveu uma ofensa a uma das principais forças armadas iranianas.

A Fifa entrou em contato com a delegação para lamentar o ocorrido e indicou que o presidente Gianni Infantino pretende organizar uma reunião na sede da entidade. Procurada pela Reuters, a federação não comentou oficialmente o caso. Uma fonte presente ao Congresso afirmou que um representante da Fifa chegou a ser enviado a Toronto para mediar a situação, sem sucesso.

Além disso, dirigentes iranianos também teriam ficado de fora do Congresso da Confederação Asiática de Futebol, realizado na terça-feira, também em Vancouver, por problemas com vistos.

“Se já é assim no Canadá, onde deveria ser mais simples, como será na Copa nos Estados Unidos?”, questionou um delegado presente ao encontro, sob condição de anonimato.

Autoridades canadenses não responderam imediatamente aos pedidos de posicionamento. O gabinete do primeiro-ministro direcionou as solicitações ao responsável federal pela área de esportes, que também não se manifestou até o momento.

Diante do cenário, representantes em Teerã passaram a buscar garantias para a participação da seleção na Copa e, em alguns casos, avaliam até a possibilidade de sedes alternativas para jogos nos Estados Unidos — hipótese que a Fifa, até aqui, descarta, reforçando que o cronograma seguirá inalterado.

O Congresso da entidade, que reúne mais de 200 associações nacionais, já tinha como foco questões operacionais e financeiras da primeira Copa do Mundo com 48 seleções, mas acabou dominado pela tensão política fora de campo.

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