Jorge Messias passa nesta quarta-feira (29) por sabatina no Senado Federal para ocupar uma vaga como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a analista de Política Larissa Rodrigues, o posicionamento adotado por Messias ao longo da sessão é marcado pela cautela e pela tentativa de evitar declarações polêmicas.
Druante o CNN 360º desta quarta-feira (29), Larissa avaliou que a sabatina é uma das mais importantes do atual governo e lembrou que indicações anteriores, como as de Zanin e Flávio Dino, enfrentaram dificuldades de articulação e placar apertado no Senado.
“Lula demorou muito para oficializar essa indicação por conta dos problemas que ele vem enfrentando com o Congresso Nacional. Toda a preparação que ocorreu nesses dias foi pautada em cima dessas dificuldades”, lembra a analista. Segundo a analista, esse histórico de tensões influenciou diretamente a postura de Messias durante a sabatina.
“A gente percebe ele tentando ali não agradar demais nenhum lado, não escorregar em nenhuma casca de banana e não trazer nenhum posicionamento considerado muito polêmico, porque neste momento todo voto importa”, afirmou Larissa. Segundo ela, há um otimismo crescente dentro do Palácio do Planalto em relação à aprovação do indicado.
Larissa também observou que Messias evitou citar nomes de ministros do STF, de parlamentares ou de outras instituições ao longo de suas respostas. Mesmo ao ser questionado sobre o tema da Venezuela, Messias não atribuiu nenhum adjetivo a Maduro, optando por uma linguagem mais formal e sem margem para dupla interpretação.
Ao abordar o tema do ativismo judicial, assunto que gera críticas ferrenhas entre os parlamentares, Messias adotou uma posição que, na avaliação de Larissa Rodrigues, foi igualmente equilibrada.
“Ele fala que seria contrário a esse ativismo porque, abrindo aspas, a própria expressão carrega um elemento extremamente perigoso que, na opinião do AGU, é a violação do princípio da separação entre os poderes”, destaca Larissa.
A analista prossegue afirmando que, após essa crítica, Messias recuou e ressaltou que “o poder é soberano, exercido pelo povo, e que todos devem permitir que a democracia continue”, reafirmando o papel do STF como “guardião da Constituição”.
“São falas muito ensaidas, fala sem agradar nem desagradar ninguém, e tudo, no fim das contas, numa tentativa de não perder votos já conquistados e, quem sabe, conquistar um último de última hora”, conclui Larissa.

