O desempenho do setor brasileiro de carne de frango em 2025 reforçou a posição do país como principal exportador global e um dos pilares da segurança alimentar internacional, em um ano marcado por expansão produtiva, recordes comerciais e resposta rápida a um desafio sanitário de alta complexidade.
O levantamento divulgado pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) indica que a cadeia avícola alcançou um VBP (valor bruto de produção) de 112,6 bilhões de reais e manteve o Brasil como terceiro maior produtor mundial, sustentando simultaneamente o abastecimento interno e a demanda de 153 países.
A produção nacional atingiu 15,289 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, acima do volume registrado no ciclo anterior, o que confirma a trajetória de crescimento do setor mesmo diante de oscilações de custos e cenários externos voláteis.
No relatório, a ABPA afirmou que o resultado de 2025 reflete a solidez estrutural da cadeia produtiva. O presidente da associação, Ricardo Santin, destacou que o setor conseguiu se manter competitivo mesmo com um cenário desafiador.
“A capacidade de resposta do setor diante de desafios sanitários e a manutenção da competitividade internacional demonstram a maturidade da avicultura brasileira e sua relevância estratégica para o abastecimento global”, reportou.
Produção
Dados do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) indicam que o abate total de frangos no Brasil alcançou 5,706 bilhões de cabeças em 2025. A atividade segue fortemente concentrada na região Sul, que responde por 65,71% da produção nacional, com destaque para o Paraná, responsável por quase 38,93%. Já Santa Catarina concentra13,65% de participação, enquanto o Rio Grande do Sul registra 13,13%.
Os dados também mostram a presença relevante de outras regiões produtoras fora do eixo Sul, em que Goiás responde por 9,20% do abate nacional, seguido por São Paulo com 8,28% e Minas Gerais com 5,93%.
O levantamento da ABPA destaca que a base produtiva também se manteve robusta com 63,01 milhões de matrizes alojadas. Já com relação ao custo médio de produção, a Embrapa Suínos e Aves destacou que média no Paraná fechou o ano em R$ 4,72 por quilo vivo, sinalizando estabilidade após períodos de pressão inflacionária em insumos observadas em 2021 e 2022.
Os anos de 2021 e 2022 foram marcados por um ambiente de custos historicamente elevados na avicultura brasileira, em meio aos efeitos remanescentes da pandemia e ao impacto da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de grãos.
O cenário internacional manteve o milho em patamares pressionados, com custo médio de produção do frango de corte no Paraná em R$ 5,08 por quilo vivo in 2021 e R$ 5,22 reais em 2022. O encarecimento dos insumos, especialmente do milho e do farelo de soja, foi um dos principais vetores de pressão sobre as margens do setor no período, exigindo ajustes operacionais e maior eficiência produtiva ao longo da cadeia.
Mercado interno
No mercado interno, o setor preservou sua relevância como principal fonte de proteína animal da população brasileira, absorvendo 65,18% da produção total. O consumo per capita alcançou 46,7 quilos por habitante ao ano, o maior nível já registrado, refletindo a combinação entre competitividade de preços, disponibilidade do produto e mudanças de hábitos alimentares.
Para a indústria, o equilíbrio entre demanda doméstica e exportações segue como um dos principais fatores de sustentação do crescimento.
Em 2025, o setor foi marcado por um episódio de atenção sanitária envolvendo a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. O primeiro registro em unidade comercial ocorreu em 15 maio no município de Montenegro (RS), mas o país conseguiu recuperar o status de livre da doença em apenas 34 dias, em um movimento considerado referência internacional em biosseguridade e resposta emergencial.
Ao mesmo tempo, o setor avançou em práticas ambientais, com mais de 70% dos produtores integrados adotando energia solar, reforçando o discurso de baixa pegada de carbono da avicultura brasileira em comparação com outros grandes produtores globais.
Comércio internacional
As exportações brasileiras de carne de frango encerraram 2025 em patamar histórico e reforçaram a posição do país como líder global do setor. O Brasil embarcou 5,324 milhões de toneladas ao longo do ano, com receita cambial de US$ 9,8 bilhões.
O ritmo das vendas externas se manteve aquecido ao longo do ano, com variações sazonais e forte aceleração no último trimestre. Dezembro foi o mês de maior destaque, tanto em volume quanto em faturamento, com 501,392 mil toneladas exportadas e receita de 947,9 milhões de dólares. Na outra ponta, setembro marcou o ponto mais baixo do ano, com 343,4 mil toneladas embarcadas, ainda em patamar elevado na comparação histórica do setor.
O Brasil exportou carne de frango para 153 países em 2025, com concentração relevante em mercados da Ásia e do Oriente Médio, regiões que seguem como pilares da demanda global pela proteína brasileira. No continente asiático, o Japão lidera as compras com 402,9 mil toneladas, seguido pelas Filipinas e pela China.
No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos aparecem na liderança regional com 479,9 mil toneladas, à frente da Arábia Saudita. Na África, a África do Sul se mantém como principal destino, com 336 mil toneladas importadas.
A Europa também segue relevante no fluxo comercial, com os Países Baixos atuando como principal porta de entrada do produto brasileiro no continente, com 159,6 mil toneladas.
O perfil das exportações mostra predominância de produtos de maior escala e competitividade. Os cortes representam 75,82% do total embarcado, somando 3,91 milhões de toneladas. O frango inteiro aparece na sequência com 18,94%, enquanto produtos industrializados e salgados completam um pouco mais de 5% da pauta exportadora, refletindo uma estratégia de diversificação gradual de valor agregado.
Com relação a logística, o Porto de Paranaguá (PR) se mantém como principal corredor de saída da produção, concentrando 44,11% dos embarques. Em seguida aparecem os portos de São Francisco do Sul e Itajaí (SC), que também desempenham papel relevante na cadeia exportadora.
A origem da produção exportada confirma a forte concentração regional no Sul do país, responsável por 77,3% do volume total enviado ao exterior. O Paraná lidera com ampla vantagem, respondendo por 40,76% das exportações nacionais, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Fora da região Sul, São Paulo e Goiás ganham destaque como polos relevantes no abastecimento do mercado externo.
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