O rei Charles III do Reino Unido enfatizará a longa história e os valores democráticos que seu país compartilha com os Estados Unidos em um discurso perante uma sessão conjunta do Congresso americano nesta terça-feira (28), proferido em um momento em que as relações entre as duas nações se encontram em um ponto excepcionalmente baixo.
Ele iniciará seu discurso, que deverá durar cerca de 20 minutos, expressando solidariedade e falando sobre como os EUA e o Reino Unido estão lado a lado.
O monarca dirá que leva “o mais alto respeito e amizade do povo britânico ao povo dos Estados Unidos”, enquanto a nação comemora seu 250º aniversário de independência, e espera-se que faça referência ao ataque a tiros no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, no sábado (25).
Charles III precisa encontrar um equilíbrio delicado nesta visita de Estado. Os monarcas britânicos são constitucionalmente obrigados a manter-se acima da política, podendo apenas representar o Reino Unido e não falar em nome do governo.
Ao mesmo tempo, sua presença projeta um poder brando que o governo britânico tenta aproveitar – a secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, compareceu à festa no jardim na segunda-feira (27), onde disse à CNN que a visita do rei era crucial para os “laços interpessoais” entre as duas nações.
A admiração de Trump pelo glamour e pelo brilho da realeza fez da monarquia britânica um recurso valioso para o governo do Reino Unido, que busca manter os fortes laços entre as nações.
Eventos como a festa no jardim na segunda-feira, onde Charles e a rainha Camilla interagiram com vários convidados, e o chá particular da família real com Trump e a primeira-dama Melania na Casa Branca, proporcionaram uma demonstração clássica desse tipo de pompa.
Antes de discursar no Congresso, o rei também terá uma reunião particular com o presidente.

O discurso incluirá observações que serão interpretadas como um reconhecimento das recentes tensões entre os dois países, após um período em que Trump atacou repetidamente o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e seu governo por não oferecerem apoio total à ofensiva dos EUA contra o Irã.
Apesar de reconhecer isso, o monarca se concentrará nos laços comuns entre os antigos aliados, afirmando que os fundamentos de suas “tradições democráticas, jurídicas e sociais” – que remontam à Magna Carta – significam que “repetidas vezes, nossos dois países sempre encontraram maneiras de se unir”.
Ele falará da aliança militar entre as duas nações, observando que ela “não é medida em anos, mas em décadas”.
O discurso também terá um toque pessoal. Charles falará sobre sua própria fé e sua crença de que nos corações das duas nações reside “uma generosidade de espírito e um dever de fomentar a compaixão, promover a paz, aprofundar o entendimento mútuo e valorizar pessoas de todas as crenças e daquelas que não professam nenhuma”.
E ele concluirá declarando explicitamente a mensagem principal de sua visita, enfatizando que a história compartilhada pelos dois países é de “reconciliação e renovação”, que gerou “uma das maiores alianças da história da humanidade”.
Na noite desta terça-feira (28), haverá um jantar de Estado, com brindes dos dois líderes, Charles e Trump.

