Mediadores no Paquistão esperam receber uma proposta revisada do Irã nos próximos dias para encerrar a guerra, disseram fontes próximas ao processo de mediação à CNN.
Os pontos seriam revistos depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que não aceitaria uma versão anterior.
As fontes afirmam à CNN que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Aragchi, deve retornar a Teerã nesta terça-feira (28), após uma visita à Rússia, para consultar líderes do regime.
Esse processo é lento, dizem as fontes, devido à dificuldade de comunicação com o líder supremo Mujtaba Khamenei, cujo paradeiro está sendo mantido em segredo.
Trump sinalizou que não aceitaria uma versão da proposta iraniana apresentada no fim de semana, que pedia o fim da guerra em primeiro lugar e a resolução das questões mais espinhosas relacionadas ao programa nuclear iraniano em um estágio posterior.
As fontes disseram que o processo está em andamento e é fluido, e muito dependerá do Irã apresentar uma proposta revisada que seja mais aceitável para os EUA.
Em uma publicação nas redes sociais na terça-feira, Trump disse que o Irã informou aos EUA que está “em estado de colapso”, insistindo que Teerã quer o Estreito de Ormuz aberto enquanto “tenta definir sua liderança”.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.500 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

