Oito influenciadores digitais foram presos, na manhã de segunda-feira (27), alvos de uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Roraima contra um esquema milionário envolvendo jogos de azar ilegais — que são popularmente conhecidos como “o jogo do tigrinho”. Os investigados também são suspeitos de envolvimento com lavagem de dinheiro e crime contra o consumidor.
Além deles, dois empresários e uma esteticista foram alvos de mandados de busca e apreensão, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões nas contas bancárias e em carteiras de investimentos.
“As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, explicou o delegado Eduardo Patrício, responsável pelo caso.
Ao todo, sete cumprimentos de mandados de prisão preventiva foram feitos em Roraima, e apenas um no estado de Goiás. Durante a operação, foram apreendidos celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor, bens de luxo, como joias e acessórios.
Em nota, o Tribunal de Justiça de Roraima informou que os envolvidos no caso começaram a ser apresentados em audiências de custódia. Até o momento, quatro prisões em flagrante foram homologadas pelo Poder Judiciário.
O que dizem as investigações?
Segundo a Polícia Civil, os influenciadores fazem parte de um esquema que atua por meio das redes sociais para atrair seguidores com promessas enganosas utilizadas para divulgar jogos de azar ilegais.
As investigações duraram 18 meses e identificou uma movimentação de R$ 260 milhões do grupo durante este período.
“Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro”, explica o delegado.
Quem são os investigados?
Alvos de busca e apreensão, e prisão preventiva:
- A influenciadora Adrielly Araújo, de 29 anos, com cerca de 149 mil seguidores, voltada a conteúdos de beleza;
- O marido de Adrielly, Dione Santos, de 37 anos;
- O influenciador Gildazio Cardoso, de 25 anos, com mais de 29 mil seguidores, voltado a conteúdos de humor;
- A influenciadora Laís Ramos, de 31 anos, com 179 mil seguidores, voltada a conteúdos sobre maternidade;
- O influenciador Patrik Adhan, com 27 anos, com mais de 619 mil seguidores, voltado a conteúdos de humor;
- A comunicadora Raniely Silva Carvalho, de 39 anos, que possui 173 mil seguidores e utiliza seu perfil como um canal de notícias;
- A influenciadora Vitória Reis da Silva, de 26 anos, com mais de 5 mil seguidores, voltada a conteúdos de beleza;
- A influenciadora Amanda Faria, de 28 anos, com mais de 35 mil seguidores, voltada a conteúdos de beleza e divulgação de sua loja de roupas.
Somente alvos de mandados de busca e apreensão:
- A influenciadora Vitória Paixão, com mais de 10 mil seguidores, voltada a conteúdos de beleza.
- O empresário Ruissian Braga, ligado ao setor automotivo.
- A esteticista de 23 anos, com as iniciais J.L.N.
O que dizem as defesas?
Defesa da comunicadora Raniely Carvalho
A defesa técnica da jornalista, publicitária e influenciadora Raniely Carvalho, representada pelos advogados Elizângela Matos e Henrique Wagner, em atenção à solicitação deste veículo de comunicação a respeito da operação conduzida pela Polícia Civil, esclarece que:
A defesa ainda não teve o acesso integral dos autos de investigação, uma vez que o procedimento tramita sob segredo de justiça absoluto.
Raniely Carvalho reafirma sua plena inocência e nega veementemente qualquer envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro, golpes financeiros ou estelionato.
A jornalista sempre pautou sua atuação profissional pela transparência e está à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiando que a justiça reconhecerá a legalidade de suas condutas.
Ressaltamos que a presunção de inocência é um direito constitucional fundamental e que qualquer conclusão precipitada, antes do devido processo legal e do amplo contraditório, configura grave injustiça à imagem da assistida.
Defesa do empresário Ruissian Braga
O empresário publicou um posicionamento ao lado de sua advogada. Veja o pronunciamento da defesa:
“Então, pessoal, a operação que ocorreu hoje na residência do Ruissian teve como objetivo principal a coleta de documentos. Ele compareceu à delegacia, prestou esclarecimentos e explicou toda a situação, inclusive sua relação com alguns investigados, que se limita a transações de compra e venda.
O Ruissian é comerciante, atua com venda de veículos, imóveis e realizou algumas transações bancárias envolvendo pessoas que estão sendo investigadas. Nós fomos à delegacia prestar esclarecimentos e temos todos os contratos de compra e venda, além de toda a documentação que comprova, de fato, o que aconteceu. Trata-se apenas de operações comerciais.
Qualquer pessoa que atua nesse ramo, realizando compras e vendas, pode eventualmente ser incluída em uma investigação, até porque não é possível saber a origem dos recursos de quem efetua os pagamentos.
Portanto, não há nada que desabone a loja ou a pessoa do Ruissian. A investigação está relacionada a terceiros, que são os verdadeiros alvos. É apenas isso.”
A CNN Brasil entrou em contato com os demais citados pela reportagem e ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.

