Câmeras de circuito interno mostram a movimentação de criminosos horas antes de uma megaoperação realizada pelo Ministério Público da Bahia e pelas polícias civis do Rio de Janeiro e da Bahia, na Favela do Vidigal, na zona Sul da capital fluminense.
A ação ocorreu na última segunda-feira (20) e tinha como objetivo prender traficantes baianos que receberam abrigo de integrantes do CV (Comando Vermelho). Entre eles estava Ednaldo Pereira Souza, o Dada, chefe do PCE, condenado por homicídios e tráfico de drogas.
Os criminosos estavam hospedados em uma casa de alto padrão no Vidigal. O imóvel tem três pavimentos, piscina, churrasqueira e vista para as principais praias da zona Sul do Rio. De acordo com as investigações, o local foi alugado pelo grupo para a festa de aniversário de 3 anos de uma criança, filha de Dada.
Vídeos obtidos pela CNN Brasil revelam que o chefe do PCE era escoltado por seguranças do tráfico. Em um dos registros, dois criminosos saem de um dos cômodos armados com fuzis, enquanto um terceiro homem limpa a área da piscina. A cena se repete em outras imagens gravadas por três câmeras do imóvel.
O Ministério Público estima que havia pelo menos 20 fuzis na casa.
Em outros momentos, as câmeras mostram Dada à vontade, conversando com comparsas, bebendo, fumando e fazendo churrasco no entorno da piscina. Durante os dois dias de festa, o traficante recebeu aliados e parentes, incluindo crianças. A celebração foi marcada por fartura de alimentos e bebidas. Em um dos vídeos, mulheres disputam garrafas de uísque:
- “Ei, ei, um uísque é meu, pode me dar um.”
- “Eu também quero um.”
Veja vídeo abaixo:
Ednaldo Pereira, os demais criminosos e parentes deixaram a casa horas antes da operação.
O imóvel tinha uma passagem secreta que levava à área de mata do Morro do Vidigal, usada como rota de fuga. A Polícia Civil e o Ministério Público apuram se houve vazamento de informações ou se a saída foi coincidência.
Durante a ação, as forças de segurança prenderam Núbia Santos Oliveira, esposa de Wallas Souza Soares, conhecido como Patola, um dos líderes da organização criminosa ao lado de Dada. Outros dois integrantes do grupo também foram presos, mas os principais alvos seguem foragidos. A operação foi coordenada pela Core, a Coordenadoria de Recursos Especiais.
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A Operação Duas Rosas II tinha como objetivo prender 13 detentos e lideranças de facções do extremo sul da Bahia que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis, em 2024, e se refugiaram na Rocinha sob proteção do Comando Vermelho.
O confronto provocou o fechamento total da Avenida Niemeyer, na altura da passarela do Vidigal, por determinação do Centro de Operações Rio. A via foi liberada após a estabilização da área.
No topo da comunidade, centenas de turistas ficaram ilhados em um mirante por causa do risco de novos confrontos e do bloqueio dos acessos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, as investigações apontam que, mesmo foragidos, os alvos continuam exercendo papel de liderança, articulando ações criminosas à distância e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos.

